O Senado Federal inicia o ano legislativo de 2026 com a
missão de analisar e aprovar o novo Plano Nacional de Educação (PNE). O projeto
de lei que estabelece as diretrizes da política educacional para a próxima
década foi aprovado pela Câmara dos Deputados em dezembro e já está em
tramitação no Senado, onde deve começar a ser discutido após o recesso
parlamentar, em fevereiro.
Embora o rito de tramitação ainda não esteja definido, a
presidente da Comissão de Educação (CE), senadora Teresa Leitão (PT-PE), afirmou
que o PNE será a principal prioridade do colegiado neste início de ano. Segundo
a parlamentar, há consenso entre os principais atores da área educacional e
apoio da presidência do Senado e do Ministério da Educação para que o tema seja
tratado com urgência.
“O principal tema, logo no início de 2026, será, sem
dúvida, o Plano Nacional de Educação e seus desdobramentos pelos entes
federativos. Essa será a nossa primeira pauta”, declarou Teresa Leitão em
pronunciamento no plenário em dezembro.
Plano estratégico para dez
anos
O Plano Nacional de Educação estabelece diretrizes, metas
e estratégias para orientar as políticas públicas do setor por um período de
dez anos. A partir do PNE, União, estados, Distrito Federal e municípios
estruturam seus próprios planos, definem prioridades e direcionam investimentos
conforme suas realidades locais.
De acordo com o Ministério da Educação, o caráter decenal
do plano garante continuidade às políticas educacionais, mesmo diante de
mudanças de governos, reduzindo a descontinuidade administrativa e os impactos
de alterações político-partidárias.
O PNE atualmente em vigor teve seu prazo encerrado em
2024. A proposta enviada pelo Executivo previa validade de 2024 a 2034, mas a
vigência do novo plano foi adiada até a aprovação do projeto pelo Congresso
Nacional. Com isso, o novo PNE deverá valer por dez anos a partir da publicação
da lei.
“Para a senadora Professora Dorinha Seabra (União-TO), a
atualização do plano é essencial. “Cada ano de atraso significa menos
planejamento, menos metas claras e mais desigualdade. O PNE atual já não
responde plenamente aos desafios da educação brasileira”, afirmou.
Investimentos e metas
Esta será a terceira edição do Plano Nacional de
Educação. O texto aprovado pela Câmara organiza o plano em 19 objetivos
estratégicos, que abrangem desde a educação infantil até o ensino superior, com
metas, prazos e estratégias de execução. O projeto também prevê a valorização
dos profissionais da educação e ações de combate ao analfabetismo.
Um dos principais destaques é a ampliação dos
investimentos públicos em educação, que devem chegar a 7,5% do Produto Interno
Bruto (PIB) em até sete anos, alcançando 10% ao final do decênio. Atualmente, o
investimento gira em torno de 5% do PIB.
Entre os pontos mantidos no texto estão a defesa da
escola pública, a exclusão da regulamentação do homeschooling, o fortalecimento
da gestão democrática nas escolas e metas voltadas ao combate à violência e ao
bullying no ambiente escolar. O projeto também prevê que metade das novas
matrículas no ensino profissionalizante seja integrada ao ensino médio.
Tramitação no Congresso
O projeto chegou oficialmente ao Senado no dia 17 de
dezembro, entregue pela deputada Tabata Amaral (PSB-SP), presidente da comissão
especial que analisou o texto na Câmara, e pelo relator, deputado Moses
Rodrigues (União-CE). Segundo Tabata, o PNE foi o projeto que mais recebeu
emendas na história da Câmara, resultado de um amplo processo de diálogo e
participação social.
Mesmo antes da chegada formal do texto, a Comissão de
Educação do Senado já vinha debatendo o tema. Somente em 2025, foram realizadas
13 audiências públicas sobre o novo plano, além de encontros realizados nos
anos anteriores.
Agora, caberá aos senadores analisar o projeto, propor ajustes e conduzir a votação que definirá os rumos da educação brasileira para a próxima década.
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