A duplicação da BR-304 escancara, mais uma vez, a forma
como o PT trata obras públicas: não como dever de Estado, mas como instrumento
de propaganda eleitoral. O que deveria ser uma intervenção estruturante e
urgente para o Rio Grande do Norte virou palco de discursos, vídeos
promocionais e promessas recicladas, todas convenientemente alinhadas ao
calendário político.
Durante anos, a BR-304 foi ignorada. Projetos ficaram no
papel, recursos não apareceram e o discurso oficial era sempre o mesmo: “está
em estudo”, “está no planejamento”, “está em Brasília”. Agora, às vésperas de
eleições, a rodovia ressuscita como prioridade absoluta, apresentada como se
fosse um presente do PT ao povo potiguar — quando, na verdade, é uma obrigação
básica do governo federal.
A encenação é explícita. Anuncia-se a duplicação sem
cronograma confiável, sem garantia clara de recursos e sem compromisso com a
conclusão integral da obra. Iniciam-se trechos pontuais, suficientes para fotos
e manchetes, mas insuficientes para resolver o problema histórico da rodovia. O
objetivo não é concluir, é aparecer.
Essa politicagem com dinheiro público é um desrespeito ao
RN. A duplicação da BR-304 não pode ser reduzida a peça de marketing para
salvar governos desgastados ou turbinar candidaturas. Trata-se de uma estrada
que mata, que trava a economia e que há décadas cobra soluções concretas.
O povo potiguar já conhece esse teatro. Não quer
promessas embaladas em palanque nem obras usadas como moeda eleitoral. Quer a
BR-304 duplicada de verdade, do começo ao fim, com seriedade, transparência e
longe da exploração política rasteira que o PT insiste em repetir.
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