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A sinuca de bico de Fátima: disputar o Senado ou permanecer no Governo até o fim

 

A governadora Fátima Bezerra vive um dos momentos mais delicados de sua trajetória política. À medida que o calendário eleitoral avança, cresce a pressão interna e externa sobre sua decisão: renunciar ao Governo do Rio Grande do Norte para disputar uma vaga no Senado ou permanecer no cargo até o último dia do mandato.

Para além da escolha pessoal, o desafio central de Fátima é político. Ela precisa convencer, sobretudo, seu eleitorado de esquerda de que será, de fato, candidata ao Senado e que não abrirá espaço para que a deputada federal Natália Bonavides (PT) ocupe esse protagonismo na chapa majoritária. Essa resistência não é pequena e reflete disputas internas cada vez mais visíveis dentro do próprio campo progressista.

Nos bastidores, cresce a percepção de que está cada vez mais difícil para Fátima deixar o comando do Estado. A razão é simples: a situação administrativa do RN é considerada frágil, com problemas estruturais, financeiros e de gestão que poderiam cair diretamente no colo de um eventual sucessor antes mesmo da eleição. Expor esse cenário às vésperas do pleito pode ser um risco alto demais, tanto para a própria governadora quanto para o grupo político que ela lidera.

Diante disso, não é coincidência que setores da esquerda já defendam abertamente que Fátima permaneça no Governo até o fim do mandato. A estratégia seria usar a máquina e o peso institucional para fortalecer os projetos eleitorais de Cadu Xavier e da própria Natália Bonavides, preservando a imagem da governadora e evitando um desgaste antecipado.

Entretanto, essa equação não é simples. Dentro da coligação, há quem não aceite abrir mão do capital eleitoral de Natália. Estima-se que a deputada possa alcançar algo em torno de 200 mil votos, um patrimônio político que muitos aliados não estão dispostos a sacrificar. Nesse contexto, o deputado Fernando Mineiro desponta como um dos principais interessados na manutenção dessa força eleitoral intacta, mesmo que isso aprofunde as tensões internas.

O fato é que Fátima está cercada por dilemas, pressões e interesses cruzados. Qualquer decisão trará custos políticos. Seja disputando o Senado e deixando um governo vulnerável, seja permanecendo no cargo e frustrando expectativas eleitorais, a governadora terá de escolher qual desgaste está disposta a enfrentar. A sinuca de bico está armada — e o tempo joga contra ela.

 

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