A decisão judicial da Operação Mederi, assinada pelo desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), descreve o papel de cada um dos investigados no esquema criminoso de desvio de dinheiro público da saúde de Mossoró. A operação foi detonada pela Polícia Federal e Controladoria-Geral da União (CGU) na terça-feira, 27, alcançando prefeituras de seis cidades da região Oeste.
Em Mossoró, a
operação teve como alvo o prefeito Allyson Bezerra (União Brasil), que aparece
nas investigações como beneficiado por recebimento de propina. Segundo consta
na decisão judicial, o chefe do Executivo mossoroense teria recebido 15% dos
pagamentos de contratos de produtos de saúde, por meio da contratada DisMed
Distribuidora, com sede em Mossoró.
Veja os nove
nomes citados e a posição que cada investigado ocupa na estrutura criminosa,
segundo a decisão do desembargador Rogério Fialho:
1 - Allyson
Leandro Bezerra da Silva, prefeito de Mossoró:
Apontado na
investigação no topo do esquema criminoso e que receberia propina em
percentuais definidos sobre os contratos.
2 – Marcos
Antônio Bezerra de Medeiros, vice-prefeito de Mossoró
Na mesma
linha de atuação de Allyson Bezerra e, segundo conversas captadas, também
receberia propina definida sobre os contratos.
3 – Jacqueline
Morgana Dantas Montenegro, secretária municipal de Saúde:
Atuação no
nível intermediário, garantindo as condições institucionais para o
funcionamento do sistema.
4 – Almir
Mariano de Sousa Júnior, ex-secretário de Saúde
Também teria
atuado, quando foi o titular da Saúde, para as condições institucionais para
funcionamento do esquema fraudulento.
5 – Poliana
Rezende Dantas, que ocupava a função de Diretora Financeira da Secretaria
Municipal de Saúde de Mossoró até o mês de julho de 2025:
As conversas
captadas pela Polícia Federal permitem inferir que ela seria um contato de
confiança dentro da Secretaria Municipal de Saúde.
6 – Samanda
Souza Marques, fiscal e gestora de contratos:
Teria atuado,
segundo as investigações, no nível intermediário do esquema, garantindo as
condições institucionais para funcionamento do sistema.
7 – Diego
Patrício de Carvalho, fiscal e gestor de contrato:
Nível
intermediário, teria atuado para garantir as condições institucionais para
funcionamento do sistema.
8 – Oseas
Monthalggan Fernandes da Costa, sócio da DisMed Distribuidora:
Atuação
externamente à administração pública, operacionando o esquema criminoso no
âmbito privado.
9 – José Moabe
Zacarias Soares, sócio da DisMed Distribuidora:
A exemplo do seu sócio Oseas Monthalggan, teve atuação externamente à administração pública, operacionando o esquema criminoso no âmbito privado.
Indícios
variam em força e natureza
O desembargador federal Rogério Fialho escreve que os indícios variam em força e natureza conforme o investigado.
Leia o que diz a decisão judicial:
- Em relação
a Oseas Monthalggan Fernandes da Costa e José Moabe Zacarias Soares, há prova
direta mediante confissão captada em interceptação ambiental.
- Em
relação a Allyson Bezerra e Marcos Bezerra, há referências nominais específicas
nas conversas indicando recebimento de valores (propina).
- Quanto aos
demais, como os secretários e fiscais de contrato, os indícios são primariamente
de natureza posicional e funcional, baseados na impossibilidade de execução do
esquema sem sua participação ou omissão deliberada. Todos os indícios,
entretanto, convergem para a descrição de uma estrutura organizada e
sistemática de desvio de recursos públicos mediante fraude em contratos de
fornecimento de medicamentos.
Fonte: Jornal de Fato.
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