Na segunda-feira, o Brasil vai às ruas para celebrar o 7 de setembro. O Hino Nacional será ouvido e lembrado o grito da Independência de 1822. Talvez seja também o momento de uma indagação: qual independência desejamos construir para o século XXI? A resposta passa pela capacidade de produzir conhecimento, transformar riquezas em bem-estar, dominar setores estratégicos da economia, formar os próprios talentos e avançar na inovação tecnológica sem depender excessivamente do capital, da tecnologia e das decisões de outros países.
Começa pelo
voto
Essa Independência começa pelo voto livre. É o instrumento pelo qual o cidadão constrói um projeto de Brasil. Dispomos em abundância de água, terras, biodiversidade, petróleo, gás, energia renovável, agricultura competitiva e minerais estratégicos. Possuímos universidades, pesquisadores, empresas, talentos e enorme mercado consumidor.
Exemplos de
países
Cabe observar, que não basta possuir recursos; é preciso
convertê-los em desenvolvimento. Países que compreenderam essa lógica oferecem
exemplos importantes. A Austrália combina sua força mineral com ciência,
tecnologia e inovação. O Chile avança da simples exploração do cobre para uma
indústria nacional de maior valor agregado. A Indonésia domina o refino global
do níquel, mineral essencial para as baterias de veículos elétricos, porque há
anos proibiu a exportação do minério bruto e exigiu que o processamento
ocorresse em território indonésio, antes de sua comercialização internacional.
Somos hoje o segundo maior detentor de reservas de terras raras do planeta, com cerca de 23% do total mundial. O alerta é que essa riqueza, por si só, não garantirá prosperidade. Se nos limitarmos a exportar matérias-primas, os maiores benefícios econômicos continuarão sendo apropriados por outros países. Não precisamos copiar ninguém. Precisamos apenas produzir, inovar e agregar valor ao que o mundo verdadeiramente valoriza.
O amanhã está
na urna
A nova independência brasileira não será conquistada por espadas, cavalos ou às margens de um rio. Ela dependerá de escolhas conscientes. Hoje, o destino do país é decidido menos nos campos de batalha e mais nas decisões tomadas nas eleições. O eleitor que não reconhece competência pessoal e experiência política no candidato em que irá votar acaba permitindo que outros decidam o seu futuro. Cada eleitor terá nas mãos uma parte do destino desta grande nação, com a responsabilidade de ajudar a construir um Brasil mais forte, mais próspero e verdadeiramente soberano.
Jornal de Fato/Ney Lopes de Souza