Você entraria em
consultório odontológico sem as mínimas condições de higiene e com aparelhos
quebrados?
Essa é a
situação das pessoas que precisam dos consultórios odontológicos da rede de
saúde pública de Mossoró. Os gravíssimos problemas estruturais levaram ao
Conselho Regional de Odontologia do Rio Grande do Norte (CRO-RN) a interditar
13 unidades das 21 que passaram por vistoria, incluindo Centro de
Especialidades Odontológicas (CEO) e Unidades Básicas de Saúde (UBS).
As interdições
são resultado de uma semana de fiscalizações em unidades de saúde do município.
Antes da
vistoria realizada pela equipe do CRO-RN, a população havia denunciado o
problema, com imagens distribuídas nas redes sociais. No entanto, a Secretaria
Municipal de Saúde ignorou as denúncias e, por meio da mídia oficial, garantiu
que os serviços estavam em pleno funcionamento.
O cenário
caótico, negado pela gestão municipal, foi confirmado pelos fiscais do Conselho
Regional de Odontologia. A equipe se deparou com um cenário crítico formado por
equipamentos danificados, mofo, infiltrações, paredes danificadas, ferrugem em
armários e cadeiras odontológicas rasgadas ou quebradas.
O relatório do
CRO-RN também inseriu que foram identificados banheiros em condições
inadequadas de uso, com alguns sem vaso sanitário.
Profissionais da
área de odontologia afirmam que as irregularidades identificadas pelo CRO-RN
comprometem as condições de atendimento e a biossegurança, o que coloca em
risco a saúde dos pacientes.
Segurança
O trabalho do
CRO-RN foi iniciado na semana passada em várias cidades do Rio Grande do Norte.
Em Mossoró, as primeiras interdições ocorreram na terça-feira, 21, alcançando
dois consultórios no CEO e três nas Unidades Básicas de Saúde do Abolição IV,
Santa Delmira e bairro Belo Horizonte.
O presidente do
CRO-RN, Dr. Souza Júnior, afirma que as interdições têm o objetivo de garantir
a segurança para os profissionais e pacientes. “A fiscalização está trabalhando
em todo o estado do Rio Grande do Norte, justamente para coibir locais
insalubres e que não tenham biossegurança, tanto para o profissional e sua
equipe como também para o paciente.”
Os consultórios
só poderão voltar a funcionar quando todas as irregularidades forem corrigidas.
O conselho fará uma nova vistoria em até 20 dias. Se os problemas persistirem,
os atendimentos continuarão suspensos até que o ambiente ofereça condições
seguras.
Versão oficial
Em nota, a
Prefeitura de Mossoró informou que analisa as recomendações feitas pelo órgão e
mantém diálogo com as equipes de fiscalização. O município disse ainda que vai
elaborar um planejamento para realizar as adequações necessárias e regularizar
os consultórios apontados na inspeção, tanto no CEO quanto nas Unidades Básicas
de Saúde.
Consultório fora dos padrões põe em risco a vida de todos
As principais
consequências de um consultório odontológico sujo são a infecção cruzada, a
transmissão de doenças graves e graves problemas legais. Manter o local fora
dos padrões põe em risco a vida de todos.
Riscos à Saúde e Transmissão de Doenças:
- Infecção
cruzada: Ocorre quando bactérias e vírus passam de um paciente para outro por
meio de superfícies ou ferramentas mal limpas.
- Doenças
graves: Risco de contaminação por Hepatite B, Hepatite C, Herpes e HIV devido
ao contato com sangue e saliva.
- Infecções
bacterianas: Propagação de micro-organismos que causam infecções locais na boca
ou problemas respiratórios, como a pneumonia.
Problemas Profissionais e Legais
- Ação da
vigilância: O local pode ser multado, interditado ou perder o alvará de
funcionamento pela Anvisa ou órgãos de saúde locais.
- Processos
judiciais: Pacientes contaminados podem processar o dentista e a clínica por
danos morais e materiais.
- Perda de
reputação: A falta de limpeza afasta os clientes e destrói a imagem do
profissional no mercado.
Jornal de Fato.