Não foi apenas o silêncio prolongado de Walter Alves que
provocou um retrocesso no planejamento político na aliança governista no Rio
Grande do Norte. O silêncio do deputado estadual e presidente da Assembleia
Legislativa, Ezequiel Ferreira, também tem levantado um caminhão de dúvidas em
todos os grupos políticos.
No caso de “Waltinho”, em meio a um turbilhão de
informações sobre o choque que teria tido com a realidade das finanças do
Estado e a possibilidade de não assumir o Governo, criou-se um ambiente de
incerteza generalizada. Durante semanas, o meio político ficou imaginando
cenários e especulando desdobramentos, enquanto Walter, emudecido, assistia a
tudo sem dizer uma palavra.
Com Ezequiel, o roteiro foi parecido. Sua última
manifestação pública foi o famoso “tamo junto” em relação a Walter Alves, há
meses. Depois disso, silêncio absoluto.
O que se sabia até então era que Ezequiel seria o fio
condutor da estratégia do MDB. Ele se filiaria ao partido para comandar a
formação das nominatas, articularia as alianças e organizaria o projeto
político, enquanto Walter Alves sentaria na cadeira de governador. No
imaginário do meio político potiguar, Ezequiel seria o grande condutor do
projeto, inclusive assumindo a presidência estadual do MDB.
Falava-se, inclusive, em uma nominata estadual robusta,
com nove deputados de mandato, potencial para eleger até oito parlamentares,
além de uma nominata federal competitiva, com chances reais de eleger dois
deputados. Tudo isso, naturalmente, sob a batuta de Ezequiel.
A surpresa veio quando João Maia declarou que o PP e o
União Brasil estavam empenhados em ajudar o MDB a formar sua nominata. Mais
surpreendente ainda foi a debandada geral dos nomes que estavam cotados para se
filiar ao partido. Para completar o cenário, Walter Alves foi reconduzido ao
comando do MDB no Rio Grande do Norte, contrariando todo o desenho que vinha
sendo ventilado.
Uma coisa é certa: Ezequiel não está morto politicamente.
Mas o que pensa Ezequiel? O que ele está organizando? Qual é, de fato, o seu
plano?
O julgamento político que vem sendo feito é que o
planejamento claramente fugiu do controle. Ao mesmo tempo, reconhece-se que
Ezequiel é experiente, líder político consolidado, especialmente com forte
ascendência sobre os deputados, e que não rompeu com Walter Alves. Dentro dessa
realidade, o silêncio de Ezequiel não parece aleatório — soa mais como cálculo,
espera e observação cuidadosa de um tabuleiro que ainda está longe de ser
definitivamente montado.
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