O tema dominante
na mídia do Rio Grande do Norte, nas redes sociais e nos principais grupos de
WhatsApp segue sendo a grave situação do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra,
que permanece no centro do noticiário político e policial do estado.
A crise é
profunda e se mantém como pauta recorrente na imprensa potiguar. Com o passar
dos dias, o desgaste se intensifica e o nome do prefeito fica cada vez mais
associado ao escândalo, consolidando a percepção de que sua imagem política
sofreu danos severos, difíceis de reverter no curto prazo.
Em suas manifestações públicas, Allyson tem demonstrado
mais preocupação em construir uma narrativa de vitimização do que em apresentar
explicações objetivas ou provas consistentes de sua inocência. Em vez de
enfrentar os fatos, opta por atribuir a crise a uma suposta perseguição
política, desviando o foco do mérito das acusações.
Para reforçar esse discurso, recorre à rememoração de
escândalos dos governos Rosalba Ciarlini e Fátima Bezerra, numa tentativa clara
de relativizar a gravidade da situação atual. A estratégia, no entanto, pouco
contribui para esclarecer os pontos sob investigação e soa mais como fuga do
debate do que como defesa efetiva.
Como se não
bastasse, na mesma semana em que foi surpreendido com a Polícia Federal à sua
porta, no âmbito da Operação Mederi,
Allyson passou a enfrentar um novo e relevante foco de desgaste. Veio a público
uma sentença da Justiça do Trabalho que condena o Município de Mossoró por
falhas sistemáticas na fiscalização de contratos terceirizados, além de apontar
indícios de ingerência político-partidária.
A decisão,
proferida no último dia 12 de janeiro pela 1ª Vara do Trabalho de Mossoró, em
ação movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT), reconhece que a
Prefeitura falhou reiteradamente no dever de fiscalização, permitindo atrasos
salariais, ausência de recolhimento do FGTS e a utilização política de vagas de
trabalho — um quadro grave do ponto de vista administrativo e institucional.
Ainda não é
possível dimensionar com precisão o tamanho do dano provocado pela operação policial.
No entanto, a eventual divulgação de diálogos envolvendo pagamento de propina
tem potencial para ampliar de forma significativa o impacto negativo,
aprofundando ainda mais a crise e o desgaste político.
De figura que
ditava o ritmo do debate público e atuava como franco atirador no cenário
estadual, Allyson Bezerra passou rapidamente à defensiva, obrigado a se
explicar diariamente. O isolamento político é evidente. O apoio dos aliados se
limitou a uma nota de solidariedade fria, sem peso político e,
sintomaticamente, sem a assinatura dos presidentes partidários. Fora isso, o
silêncio foi absoluto.
No momento mais
delicado de sua trajetória política, Allyson ficou só.
0 comentários:
Postar um comentário