Que o vice-governador Walter Alves oficializaria que não
assumirá o Governo do Estado, em razão do seu projeto de se candidatar à
Assembleia Legislativa, era esperado por todos. Que Walter também anunciaria
uma aliança do MDB com União Brasil/PP e o apoio à candidatura de Allyson Bezerra,
isso igualmente já era previsto.
O que ninguém sabe ainda é o que acontecerá agora, com tudo oficializado:
o pós-anúncio. Principalmente no que diz respeito à exoneração — ou não — de
todos os cargos que o MDB ocupa na estrutura do Estado.
Pode-se imaginar que o MDB mantenha as quatro secretarias, a Caern e toda
a estrutura de cargos comissionados considerando que Waltinho anunciou que vai
apoiar a reeleição do presidente Lula no RN, pode apoiar Fátima para o Senado e
que ainda também possa ajudar o PT na eleição indireta para o mandato tampão.
Mas é preciso analisar essa questão com cuidado, porque não é tão simples
assim. Principalmente porque internamente o PT entende que houve uma grande
deslealdade de Walter ao negociar contra o Governo, ainda sendo governo. É
muito provável que a exoneração dos cargos do MDB ocorra rapidamente. O mais
coerente seria o próprio Waltinho orientar os seus indicados a pedirem
exoneração.
Considerar que os cargos serão mantidos apenas porque o MDB potiguar
apoiará Lula contraria a lógica política. Quantos votos, afinal, Waltinho
entregaria a Lula no RN com seu apoio? Que diferencial tem esse apoio a ponto
de merecer a super estrutura que o MDB conta hoje? Além disso, se houver
desgaste junto ao eleitorado lulista, quem terá de se explicar é Waltinho — não
o PT.
O fato é que deixar o MDB com os cargos significa permitir que uma parcela
relevante da estrutura do Estado esteja disponível para ajudar a eleger
adversários do Governo. Isso não faz sentido.
Pode haver quem defenda manter parte dos cargos em nome de um possível
apoio do MDB a Fátima ao Senado e ao PT na eleição indireta do governador
tampão. Também essa hipótese carece de justificativa razoável.
Com o MDB formalmente integrado a uma coligação envolvendo PP/União Brasil/PSD/MDB,
não há como sustentar um apoio significativo “por baixo dos panos” a Fátima,
fora do palanque. Nenhum material de campanha será produzido nesse formato, não
haverá tempo de TV. E, se a questão é garantir o apoio de prefeitos do MDB, a
esta altura esse alinhamento não virá por imposição “de cima para baixo”.
Fátima vai ter que negociá-los um a um.
Quanto à possibilidade de o MDB apoiar o PT na eleição indireta, há outro
obstáculo: o partido agora está inserido em uma nova aliança. Não há como Waltinho
estar alinhado com Agripino, João Maia, Robinson, Benes e Allyson e, à revelia
de todos eles, apoiar o nome governista que contrarie o interesse desse grupo
na eleição geral de outubro.
Portanto, nenhuma dessas ponderações se sustenta plenamente na lógica
política. A tendência é de rompimento total. O Governo Fátima deverá optar por
“passar a tesoura” nos cargos do MDB e utilizar esses espaços para atrair novos
aliados.
Neto Queiroz
0 comentários:
Postar um comentário