O deputado estadual Kleber Rodrigues resolveu transformar
o cenário político do Rio Grande do Norte em um verdadeiro exercício de
contorcionismo. Em vez de escolher um campo claro, optou por ocupar todos ao
mesmo tempo — ainda que sejam incompatíveis entre si.
Enquanto sinaliza apoio à
candidatura do prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, adversário declarado do
governo estadual, Kleber continua confortavelmente instalado na base da
governadora Fátima Bezerra. A contradição não é pequena: Allyson constrói seu
discurso atacando a gestão petista, justamente a administração que abriga o
deputado.
O enredo se complica ainda
mais quando se observa o mapa de alianças para o Senado. Kleber acena para
Zenaide Maia em uma vaga e, sem qualquer constrangimento, promete apoio à
própria Fátima Bezerra na outra. Na prática, tenta agradar a todos. Governista
quando convém, oposicionista quando rende palco, aliado apenas enquanto for
útil.
Do lado do governo, a
tendência é tolerar o paradoxo. O cálculo eleitoral fala mais alto do que a
contradição política. Afinal, em tempos de disputa dura, votos pesam mais do
que fidelidade.
O caso de Kleber Rodrigues é apenas mais um retrato de uma
política cada vez mais pragmática, onde a ideologia virou detalhe e a
conveniência passou a ser regra. No Rio Grande do Norte, o jogo deixou de ser
sobre lado — é apenas sobre sobrevivência.
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