Olho D'água do Borges/RN -

De combatente a aliado: Allyson vai engolir o próprio discurso contra oligarquias Maia e Alves?

 

Em 2020, o então deputado estadual Allyson Bezerra construiu sua candidatura à Prefeitura de Mossoró vestindo a fantasia do “menino pobre” e um discurso agressivo contra as oligarquias Maia, Alves e Rosado, apontadas por ele como responsáveis históricas pelo atraso do Rio Grande do Norte. Era o discurso fácil do “nós contra eles”, que rendeu votos, aplausos e capital político.

Passados poucos anos, o roteiro mudou — e mudou para pior. Hoje, já reeleito prefeito e surfando em índices de popularidade, mesmo em meio a uma crise aberta com os servidores municipais, Allyson caminha tranquilamente para se tornar pupilo justamente das oligarquias que dizia combater. O combatente virou aliado. O discurso virou pó.

Reeleito prefeito de Mossoró pelo União Brasil, partido comandado no RN por José Agripino Maia, Allyson ainda articula um acordo com o MDB dos Alves, que estaria pronto para desembarcar em seu palanque no pleito de outubro. A pergunta que fica é simples e incômoda: onde vai parar o discurso contra as oligarquias? O eleitor vai fingir que não ouviu nada em 2020?

O que se vê é a velha metamorfose da política de conveniência: o discurso muda conforme o interesse, e o combate de ontem vira a aliança de hoje. As famílias Maia e Alves podem até estar enfraquecidas, mas ainda detêm capital político e acesso a um generoso fundo partidário do União Brasil e do MDB — uma estrutura de poder sob a qual Allyson parece cada vez mais confortável.

Assim como evaporou a imagem de defensor dos servidores, tão alardeada no início da carreira, também se dissolve a pose de opositor das oligarquias. Mais um capítulo do velho enredo da política potiguar, onde princípios têm prazo de validade e coerência é artigo raro. 

A política, como a vida, são feitas de escolhas. Allyson fez a dele. Não é o primeiro, nem será o último, a combater oligarquias no gogó e a se abraçar com elas na primeira esquina do poder. O problema é achar que o povo não percebe. E morreu Maria Preá!

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