Após realizar a análise jurídica da situação que envolve
o prefeito Allyson Bezerra, é necessário avançar também para uma leitura
política do caso, a fim de compreender seus desdobramentos. Se, no campo
jurídico, o momento exige prudência e o processo tende a se alongar no tempo,
na esfera política as consequências são imediatas.
Isso ocorre porque a operação se dá às vésperas de um processo eleitoral
relevante. Teremos eleições em outubro, e o eleitor costuma ser muito mais
influenciado pelos holofotes midiáticos do presente do que por uma eventual
sentença judicial futura.
É inegável que os efeitos eleitorais de uma operação de busca e apreensão
na residência de um prefeito de uma cidade importante, que lidera as pesquisas
para o Governo do Estado, produzem danos que podem ser irreversíveis. A
visibilidade foi fora do padrão: toda a imprensa estadual e nacional repercutiu
o fato.
Tenho convicção de que o primeiro efeito político imediato é a mudança nos
planos de Allyson Bezerra. Eventos que estavam sendo programados — como o
anúncio oficial da pré-candidatura e uma eventual renúncia antecipada ao
mandato de prefeito — tendem a ser suspensos. A busca e apreensão muda
completamente o cenário.
Neste momento, o prefeito não pode se afastar do cargo. Ele precisa de
tempo para organizar sua defesa, e a permanência à frente da Prefeitura de
Mossoró pode lhe oferecer melhores condições políticas e institucionais para
isso. Afastar-se agora seria como um comandante abandonar a embarcação em meio
à tempestade. Da mesma forma, não há ambiente político para celebrar o anúncio
de uma candidatura; esse movimento, inevitavelmente, precisará ser adiado.
Isso, no entanto, não significa desistência. Pelo contrário: Allyson
Bezerra tende a manter sua candidatura, até mesmo como forma de defesa
política. Abandonar o projeto neste momento poderia ser interpretado, por parte
do eleitorado, como um reconhecimento tácito de culpa.
Outro movimento que precisará ser refeito é a articulação com os aliados
políticos. O ambiente, neste momento, é de perplexidade e silêncio. Os
parceiros aguardam os próximos desdobramentos antes de qualquer manifestação
mais firme. Será necessária uma nova rodada de conversas com todas as forças
aliadas, incluindo o MDB, liderado no Estado por Walter Alves, que agora
demonstra cautela diante dos riscos políticos envolvidos.
Chama atenção, inclusive, a ausência de manifestações públicas de
solidariedade ao prefeito. Nem mesmo o seu partido, o União Brasil, foi
enfático em sua defesa até o momento. Os aliados optaram pelo silêncio,
evitando notas públicas de apoio. Ainda que essas manifestações possam surgir
nas próximas horas ou dias, o silêncio inicial foi eloquente.
A repercussão política negativa foi imediata e intensa, espalhando-se como
um rastilho de pólvora. O caso dominou o noticiário local e alcançou projeção
nacional, causando um desgaste expressivo na imagem do prefeito. Diante disso,
Allyson Bezerra terá pela frente uma tarefa hercúlea: conter os danos,
reorganizar sua estratégia política e tentar recuperar o terreno significativo
que foi perdido em poucas horas.
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