Olho D'água do Borges/RN -

O silêncio do SINTE/RN diante do reajuste de 0,37% do piso do magistério

 

O anúncio do reajuste de apenas 0,37% no piso nacional do magistério, feito pelo governo Lula, deveria ter provocado reação imediata, firme e contundente das entidades que dizem representar a categoria. Afinal, trata-se de um índice irrisório, que não repõe sequer a inflação acumulada, tampouco dialoga com a realidade de desvalorização histórica vivida pelos profissionais da educação. No entanto, o que se vê no Rio Grande do Norte é um silêncio ensurdecedor do SINTE/RN.

A mesma entidade que, em outros governos, ocupava ruas, convocava assembleias, organizava greves e mobilizava a base com discursos inflamados, agora parece ter perdido a voz. O reajuste simbólico — quase uma afronta — não mereceu uma nota pública, nem mobilização, nem sequer um posicionamento claro que traduza a indignação dos professores. O silêncio, nesse caso, não é neutro: é político.

É impossível ignorar a contradição. Quando o governo federal não era alinhado politicamente e ideologicamente aos interesses das lideranças do SINTE/RN, qualquer percentual abaixo do esperado era tratado como ataque à categoria. Agora, diante de um reajuste que beira o constrangimento, opta-se pela complacência. A pergunta que ecoa da categoria é simples e direta: o sindicato defende a categoria ou o governo?

O piso do magistério não é favor, é lei. E sua atualização deveria refletir, no mínimo, a preservação do poder de compra dos educadores. Um reajuste de 0,37% representa, na prática, perda salarial, desestímulo profissional e desprezo pelo papel estratégico da educação no desenvolvimento do país. Aceitar isso passivamente é chancelar a desvalorização docente.

O SINTE/RN precisa explicar à sua base as razões desse silencio. Precisa romper o conforto do alinhamento político e reassumir sua função primordial: "defender os interesses dos trabalhadores da educação, independentemente de quem esteja no poder. Sindicato que se cala diante de injustiça deixa de ser instrumento de luta e passa a ser peça de conveniência".

A educação não pode ser refém de projetos políticos, nem os professores podem pagar a conta do silêncio conveniente do SINTE. A história cobrará coerência — e os educadores também. 

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