O Governo do Rio
Grande do Norte iniciou 2026 protagonizando mais um capítulo da sua já
conhecida incoerência fiscal. Mesmo alegando falta de recursos para cumprir uma
obrigação constitucional básica — o pagamento do 13º salário de 2025 — a gestão
estadual anunciou a nomeação de cerca de 2,5 mil novos servidores públicos,
ampliando ainda mais a folha de pessoal.
O contraste é
gritante. Enquanto servidores aguardam um direito líquido e certo,
o Executivo acelera contratações como se o caixa estadual estivesse em plena
normalidade. Segundo o próprio governo, aproximadamente 1,6 mil novos
servidores serão destinados à educação e outros 800 à saúde, estes últimos
anunciados ainda em dezembro.
No caso da
saúde, o impasse foi parar no Judiciário. Diante do atraso no pagamento do 13º,
o Sindicato dos Servidores da Saúde (Sindsaúde) ingressou com ação judicial no
fim de 2025. Embora tenha obtido vitória em primeira instância, a entidade viu
o governo reverter a decisão no segundo grau, empurrando o problema para
frente. O resultado prático é simples: o servidor continua sem receber.
Não se discute a
relevância de saúde e educação. O que está em debate é a lógica administrativa
de um governo que diz não ter dinheiro para honrar compromissos com quem já
trabalha, mas encontra margem orçamentária para criar novas despesas. A conta, inevitavelmente, não fecha.
A decisão
escancara uma gestão marcada por improviso, prioridades distorcidas e um
discurso de crise que só aparece quando convém. Ao ampliar o quadro funcional
sem resolver pendências básicas, o governo transfere o ônus da sua má gestão
para os servidores e para a sociedade, aprofundando a desconfiança sobre sua
capacidade de conduzir o Estado com responsabilidade e coerência.
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