A crise aberta na Venezuela após o ataque dos Estados
Unidos e a captura de Nicolás Maduro atingiu em cheio a estratégia do governo
Lula para o início de 2026. No Palácio do Planalto, a avaliação é de que o
cenário externo passou a representar um risco real para a corrida eleitoral,
alterando completamente o planejamento político e institucional do presidente.
A ideia do governo era começar o ano com foco nas
entregas da gestão e na retomada do diálogo com o Congresso, após um fim de
2025 marcado por tensão com o Legislativo. O objetivo incluía destravar pautas
estratégicas, como a PEC da Segurança Pública e o PL Antifacção, além de
organizar a comunicação da pré-campanha. Com a escalada do conflito regional,
essa agenda foi colocada em segundo plano.
O novo contexto geopolítico deslocou o eixo das
prioridades do governo. A agenda externa, o temor de instabilidade na fronteira
e a incerteza sobre os próximos movimentos do presidente dos EUA, Donald Trump,
passaram a dominar as discussões internas. Lula tenta adotar um discurso
cauteloso, defendendo o direito internacional, a soberania regional e a
pacificação, sem atacar diretamente Washington e sem mencionar Maduro.
Apesar da estratégia de contenção, o Planalto reconhece
que adversários políticos explorarão a associação histórica entre Lula e o
regime venezuelano. A movimentação já é visível nas redes sociais, puxada por
lideranças bolsonaristas. O receio central é que a crise reacenda canais de
influência entre a direita brasileira e o governo Trump, elevando o risco de
interferências externas no processo eleitoral de 2026.
CNN
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