Mais de 70 prefeitos e prefeitas do Rio Grande do Norte
estão em Brasília participando da Mobilização Municipalista promovida pela
Confederação Nacional de Municípios (CNM). A agenda reúne gestores de todo o
país para discutir projetos que tramitam no Congresso e que, na avaliação do
movimento municipalista, podem provocar queda de arrecadação e aumento de
despesas obrigatórias nas prefeituras.
A comitiva potiguar participa ao lado do presidente da
FEMURN, Babá Pereira, e acompanha uma pauta considerada crítica para 2026, com
potencial de ampliar significativamente o desequilíbrio fiscal municipal.
Entre os pontos apresentados
como risco estão:
Perdas de receita com a reforma do Imposto de Renda, com
proposta de isenção até R$ 5 mil, e impacto estimado de R$ 5 bilhões por ano,
sem indicação clara de compensação aos municípios.
Aumento de despesas obrigatórias, como a desoneração da
folha (com transição e alíquota projetada em 16% em 2026), com impacto estimado
de R$ 3,5 bilhões por ano.
Reajuste do piso do magistério, com estimativa de 5,40% e
impacto estimado de R$ 8 bilhões em 2026, dentro de um cenário em que o piso
acumulou alta de 68,7% entre 2021 e 2025, acima da inflação do período (19,9%).
Subfinanciamento de programas federais executados pelos
municípios, com cerca de 200 políticas na ponta e defasagens apontadas em
serviços como CAPS (+43,6%), PAEFI (+113%), Consultório na Rua (+93%) e Informatiza
APS (+41%), o que aumenta a conta local sem reajuste proporcional dos repasses.
Novos pisos salariais em tramitação, que, se aprovados,
podem gerar impacto estimado superior a R$ 50 bilhões por ano em apenas sete
propostas — com destaque para técnicos da educação, médicos e dentistas,
limpeza urbana e SUAS.
Segundo o levantamento apresentado, o impacto global
potencial dessas medidas pode chegar a R$ 150 bilhões por ano (o equivalente a
cerca de 15% de aumento nas despesas municipais), com possibilidade de
ultrapassar R$ 270 bilhões em um horizonte ampliado. O alerta do municipalismo
é de que, com despesas obrigatórias em alta e receita sem acompanhar, o
resultado pode ser queda de investimentos e risco de colapso na prestação de
serviços essenciais.
Durante a mobilização, também estão previstas
articulações e reuniões com lideranças nacionais, incluindo Gleisi Hoffmann,
Hugo Motta e Davi Alcolumbre, além de representantes das federações
municipalistas que participam do encontro.
98FM
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