Encerrado o desfile da Acadêmicos de Niterói na Marquês de
Sapucaí, a atenção agora se volta para o Tribunal
Superior Eleitoral, que segue analisando uma ação que questiona se
houve propaganda eleitoral antecipada em benefício do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a
apresentação. O processo foi aberto após representação do Partido Novo, que
apontou possível promoção política e uso de recursos públicos no evento.
Na semana passada, o TSE rejeitou um pedido para impedir
o desfile antes que ele ocorresse. Os ministros entenderam que barrar
previamente a apresentação poderia configurar censura a uma manifestação
artística. Apesar disso, a Corte decidiu manter o processo ativo para avaliar,
agora com o desfile já realizado, se houve excessos que ultrapassem os limites
legais estabelecidos pela Justiça Eleitoral.
A relatora do caso é a ministra Estela Aranha. Com a
conclusão do evento, os autores da ação poderão anexar novas provas, como
imagens e trechos do samba-enredo, para sustentar a acusação. Depois dessa
fase, as partes citadas — entre elas Lula, o PT e a escola de samba — devem
apresentar defesa, seguida de parecer do Ministério Público Eleitoral, antes de
o caso ser levado a julgamento em plenário.
Durante a análise da liminar, ministros do TSE já haviam
sinalizado preocupação com possíveis abusos. O ministro Kassio Nunes Marques afirmou que a
Justiça Eleitoral permaneceria atenta ao conteúdo do desfile, enquanto a
presidente da Corte, Cármen Lúcia,
classificou o cenário como “propício a excessos”. Já o ministro André Mendonçadestacou que manifestações
culturais podem se tornar problemáticas se ultrapassarem a fronteira entre arte
e promoção eleitoral.
Pela legislação brasileira, a propaganda eleitoral só é
permitida a partir de 5 de julho do ano da eleição. Antes disso, qualquer
manifestação que possa influenciar o eleitor — ainda que sem pedido explícito
de voto — pode ser analisada como irregular. Se a Justiça entender que houve
infração, a punição prevista vai de multa de R$ 5 mil até valores equivalentes
ao custo estimado da divulgação, podendo atingir tanto os responsáveis pelo
evento quanto o beneficiado político.
Com informações da CNN
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