Ao pedir fim do sigilo, Allyson transforma investigação
em palanque político
O prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra, resolveu peitar a
Polícia Federal ao solicitar ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região o fim do
sigilo das investigações relacionadas à operação realizada no último dia 27 de
janeiro. Na prática, o gesto soa menos como transparência e mais como uma
tentativa de antecipar a narrativa e politizar um processo que ainda está em
curso.
Ao afirmar que quer “enfrentar isso com altivez” e “olhando
no olho do cidadão”, Allyson adota um tom de confronto que não combina com a
postura esperada de quem deveria, antes de tudo, colaborar silenciosamente com
a Justiça. Quando um investigado passa a ditar o ritmo e a forma como a
investigação deve ocorrer, o discurso deixa de ser institucional e passa a ser
político.
A crítica do prefeito à cobertura da imprensa também chama
atenção. Ao alegar que as informações estão sendo divulgadas “sem compromisso
com a verdade”, Allyson tenta desqualificar o noticiário antes mesmo que o
conteúdo completo da investigação venha a público — estratégia comum de quem
busca controlar danos em meio a desgaste.
O momento escolhido para a declaração também não parece coincidência.
Às vésperas da leitura de sua última mensagem anual e já em clima de despedida
para disputar o Governo do Estado, o prefeito transforma um assunto policial em
discurso político, mirando a opinião pública.
Transparência não se impõe no grito nem no confronto. Quem
confia plenamente na própria conduta costuma deixar que a investigação siga seu
curso natural — e que os fatos falem por si.
Gazeta Potiguar
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