Olho D'água do Borges/RN -

Mito e realidade: a supervalorização dos prefeitos na corrida pelo Governo no RN

 

Está todo mundo fazendo as contas de 2026 pensando no apoio dos 167 prefeitos do Rio Grande do Norte. Vira e mexe aparece notícias de que tal candidato tem tantos prefeitos. Antes de anunciar sua desistência, Rogério Marinho esbanjava que teria 80 prefeitos no seu palanque.

O que se sabe agora é que Álvaro Dias está tendo enormes dificuldades de achar os 80 prefeitos de Rogério. Babá Perera entrou na chapa majoritária como vice para atrair prefeitos para Álvaro. O PL está literalmente na caça aos prefeitos.

O palanque de Allyson Bezerra enfrenta a mesma dificuldade. Os cinco partidos que o apoiam – PP, União Brasil, MDB, PSD e Solidariedade – têm juntos 114 prefeitos. No evento de lançamento da pré-candidatura de Allyson, no último sábado, estavam lá apenas 16. O MDB, aliado de Allyson, que faz propaganda dos seus 44 prefeitos, levou apenas dois.

O PT tem poucos prefeitos. Na ponta do lápis, o PT elegeu 7 prefeitos apenas. Os outros integrante da federação, o PV elegeu 1 e o PCdoB nenhum.

A grande questão sobre esse foco dos candidatos em ter os prefeitos nos seus palanques é sobre o poder de transferência de votos que os prefeitos têm. Não há nenhuma dúvida que nas disputas proporcionais de deputados federais e estaduais, o apoio dos prefeitos é fundamental para eleger ou deseleger.

Contudo, na disputa majoritária, do presidente da República e do governador do Estado, há muitos argumentos sobre a limitação que os prefeitos têm sobre os votos do município.

Geralmente as disputas majoritárias têm maior projeção na mídia, as redes sociais acabam tendo enorme influência, a polarização entre os candidatos é bem mais evidenciada. Com isso, acaba chegando ao eleitor final um conjunto maior de informações que lhe dá condições de ter um julgamento sobre os nomes. Com mais informações ele toma sua posição, independente de apoios locais.

Na disputa proporcional e diferente. O número de candidatos é maior, não há polarização, geralmente o eleitor está pouco informado sobre quem são e o que defendem os candidatos. Por não ter uma preferência pessoal, na maioria dos casos, ele acaba aceitando a indicação de sua liderança política local.

Quando a gente trata da importância de ter os prefeitos no palanque, vem a lembrança a eleição de Fernando Bezerra, em 2002, que se gabava de ter cerca de 140 prefeitos no seu palanque e nem para o segundo turno foi. Ou de Henrique Alves, em 2014, com cerca de 140 prefeitos e foi derrotado por Robinson Faria com duas dúzias de prefeitos.

Concluindo: a história mostra que os prefeitos não são decisivos em eleição de governador. Ajuda sim, mas não são determinantes.

Neto Queiroz

 

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