A prefeita Marianna Almeida declarou apoio à
candidatura de Allysson Bezerra. Sim, ele mesmo, o político que surgiu
prometendo enfrentar as oligarquias, romper com a velha política e “mudar tudo
isso que está aí”, mas que hoje aparece abraçado exatamente com aquilo que
dizia combater. Pior, um nome recentemente envolvido em investigações da
Polícia Federal, com suspeitas de corrupção em contratos com a empresa DISMED.
O apoio de Marianna não é um gesto isolado, nem
neutro. Ele carrega um peso político enorme, sobretudo quando se olha para o
caminho que a levou até aqui. Sua eleição e reeleição só foram possíveis graças
a um apoio massivo da esquerda no estado. Governadora, lideranças do PT,
militância engajada, discursos afinados com pautas progressistas e, mais do que
isso, espaços concretos de poder entregues ao partido, como as secretarias de
Educação e Meio Ambiente do município.
Durante anos, o que se viu foi Marianna de mãos
dadas com esse campo político, usufruindo do capital eleitoral, da estrutura e
da credibilidade de um projeto que sempre se colocou como alternativa às
oligarquias e à política de conveniência. Hoje, esse mesmo projeto é descartado
sem maiores explicações, em troca de uma aliança que soa, no mínimo,
contraditória.
A pergunta que ecoa nas ruas e nas redes é simples
e incômoda, o que mudou? Mudaram os valores ou apenas os interesses? Onde fica
o discurso de ética, coerência e compromisso com quem acreditou, defendeu e foi
às urnas?
Ao declarar apoio a Allysson Bezerra, Marianna não
apenas rompe com o PT. Ela rompe com uma narrativa que ajudou a construir, com
eleitores que confiaram e com uma base política que sustentou seu projeto. Para
muitos, soa como traição. Para outros, como oportunismo. E para a maioria, como
mais um capítulo da velha política que se reinventa, troca de lado, mas nunca
muda de prática.
Foi um gesto estratégico ou o famoso “abraço da
cobra”? A história vai julgar. Mas uma coisa é certa, quem sobe no palanque da
incoerência não pode se surpreender com a cobrança pública.
O eleitor não esquece. E a conta, mais cedo ou
mais tarde, chega.

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