O encontro praiano do pré-candidato a governador e
investigado pela PF, Alyson Bezerra, na casa do deputado Hermano Morais,
possível pré-candidato a vice na sua chapa, ocorre poucos dias depois da
deflagração da Operação Mederi, na terça-feira, quando a Polícia Federal esteve
na residência do prefeito e em endereços ligados à investigação sobre desvios
de recursos da saúde.
Desde então, os desdobramentos são graves: dinheiro
apreendido, contratos sob suspeita, indícios de material não entregue e um
esquema que, segundo os órgãos de controle, pode ter causado prejuízo direto a
quem mais depende do SUS. É nesse contexto que surge o “grande encontro” à
beira-mar, vendido como demonstração de força política.
O movimento parece ter um objetivo claro: criar uma
cortina de fumaça. Em vez de o debate público girar em torno dos desvios, das
responsabilidades e das explicações que a população merece, tenta-se mudar o
foco para fotos, alianças e articulações. Vale a velha máxima: se a memória do
povo é curta, melhor ocupar o noticiário com um evento político do que com uma
investigação federal.
Em vez de se falar na Operação Mederi, fala-se no “grande encontro” , que não é
de Zé Ramalho, Elba, Alceu e Geraldo, mas de Alyson abraçado às mesmas
oligarquias que ele dizia combater. As mesmas estruturas políticas que sempre
atacou no discurso agora aparecem sorrindo ao seu lado.
O que mudou? O projeto ou o discurso?
Aliás, a contradição parece ser uma marca do prefeito de Mossoró: ora afirma
que tudo passa por ele na gestão, ora diz que deu total autonomia aos secretários.
Afinal, quem manda?
A resposta, ao que tudo indica, depende da conveniência
do momento, especialmente quando a Polícia Federal bate à porta.
O Mossoroensse
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