As investigações da Polícia Federal na Operação Mederi
mergulharam a administração municipal em uma crise de responsabilidades.
O foco da controvérsia é a contradição entre o discurso
do prefeito Allyson Bezerra (UB) e os detalhes técnicos da decisão do Tribunal
Regional Federal da 5ª Região (TRF5), que aponta secretários de Saúde como
peças centrais no desvio de recursos.
Recentemente, o prefeito afirmou que seus secretários
possuem autonomia como ordenadores de despesas. A declaração, vista como
tentativa de se blindar, acabou por isolar juridicamente os titulares da Saúde,
transferindo-lhes a responsabilidade direta pelas licitações investigadas.
Essa estratégia de distanciamento, porém, foi confrontada
pela própria gestão. Sob recomendação da Procuradoria-Geral do Município (PGM),
a prefeitura cancelou contratos e desclassificou as empresas DISMED e Drogaria
Mais Saúde.
A medida reflete as provas da PF, que fundamentaram
buscas e apreensões na residência da secretária de saúde Morgana Dantas e de
seu antecessor, Almir Mariano.
Inclusive, a decisão do TRF5 detalha como a Secretaria de
Saúde foi “loteada” para favorecer empresas entre 2021 e 2025, mantendo o
mesmo modus operandi em dois
períodos.
Segundo a investigação respaldada pela Justiça Federal,
Morgana garantia as “condições administrativas” para o crime. Ela homologou
licitações que favoreceram a DISMED — com repasses de R$ 5,8 milhões só em
2024, mantendo fiscais coniventes para permitir o pagamento por medicamentos
entregues apenas parcialmente.
O esquema persistiu mesmo após a troca de comando, quando saiu Morgana e entrou Almir Mariano. Interceptações de maio de 2025 revelam que a “Matemática de Mossoró” seguiu operando, dependendo da omissão ou conivência do novo ordenador de despesas para manter o fluxo de propinas e superfaturamento.
Diante do detalhamento judicial e o cancelamento dos
contratos com a Dismed e Drogaria Mais Saúde, e, sem sombra de dúvidas, a afirmação
que os secretários têm total responsabilidade sobre os gastos, torna-se
moralmente insustentável manter Jacqueline Morgana ou qualquer envolvido em
cargos de confiança.
Blog do Barreto
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