O discurso do vice-governador Walter Alves (MDB), feito
durante o evento político do prefeito Allyson Bezerra, foi menos protocolar do
que parecia — e mais revelador do que se imaginava. Em vez de falar do agora,
Walter preferiu revisitar o passado e, por contraste, expor desconfortos do
presente.
Ao evocar o governo de seu
pai, Garibaldi Alves Filho, Walter destacou obras, capacidade de investimento e
protagonismo político de uma gestão que marcou época no Rio Grande do Norte. A
comparação não foi gratuita. Ao colocar o legado de Garibaldi em evidência, o
vice-governador abriu, ainda que indiretamente, uma régua de avaliação incômoda
para o governo atual.
O detalhe que chamou ainda
mais atenção foi o fato de Walter, na condição de vice, acabar se comparando
não apenas ao governo de Fátima Bezerra, mas também à própria experiência que
vive hoje no Executivo estadual. Uma comparação que, nos bastidores, sempre foi
evitada.
Não por acaso, aliados
revelam que o receio de ser novamente confrontado com o desempenho do pai pesou
— e muito — na decisão de Walter de não assumir o Governo do Estado após a
eventual renúncia de Fátima para disputar o Senado. A orientação teria vindo do
próprio Garibaldi: evitar um teste direto nas urnas e na máquina
administrativa.
Publicamente, os números e
o cenário eleitoral empurraram Walter para uma candidatura mais segura à
Assembleia Legislativa, com chances reais de mirar a presidência da Casa. Nos
bastidores, porém, o fator emocional e político falou mais alto: o temor de
reviver comparações desfavoráveis.
No palanque de Allyson, ao
lado de três ex-governadores — Garibaldi Alves, José Agripino Maia e Robinson
Faria — Walter disse sentir “cheiro de vitória”. A frase soou como empolgação
eleitoral, mas também como sinal de alinhamento com um projeto que se apresenta
como alternativa ao atual governo.
O discurso, no fim das
contas, funcionou como uma crítica velada à gestão da qual ele próprio faz
parte. Segundo pessoas próximas, Walter deixa o governo cansado, após anos
“engolindo sapos” e convivendo com desconfortos internos.
Nada foi dito de forma explícita. Mas, na política, silêncio e comparação costumam falar alto.
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