A governadora Fátima Bezerra repete, no exercício do
governo, um padrão que passou a marcar sua gestão: protelar o reajuste do piso
nacional dos professores — justamente uma das principais bandeiras que levantou
quando era senadora. À época, foi relatora do projeto no Senado e ganhou
projeção nacional, chegando a ser chamada de “Mãe do Piso”. Hoje, porém, o
discurso histórico contrasta com a prática administrativa, expondo uma mudança
de postura difícil de justificar diante da própria trajetória política
construída na defesa da categoria.
Ao assumir o governo, passou a agir na contramão do que
defendia, criando um modelo confuso de implantação em parcelas sucessivas, sem
transparência sobre quantas ainda restam e quando serão integralmente cumpridos.
Para uma gestão que se construiu politicamente defendendo a educação, a
contradição é evidente.
O que também chama atenção é o silêncio ensurdecedor do
SINTE. Historicamente combativo, o sindicato hoje parece assistir passivamente
ao tempo passar, sem cobrar aquilo que sempre exigiu de outros governos. A sua
parceira política com a governo levanta questionamentos inevitáveis sobre a
independência na defesa da categoria.
A sensação entre muitos profissionais é de que se aguarda
o período de restrições eleitorais para justificar a ausência de reajustes,
repetindo um ciclo que, na prática, penaliza quem está na sala de aula.
No fim, quem paga essa conta é o professor — que segue
ouvindo promessas antigas enquanto espera, mais uma vez, que o discurso vire
realidade.
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