O ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal
Federal), não aguentou a pressão. No início da noite desta quinta-feira (12), o
ministro deixou a relatoria de investigações relativas ao Banco Master.
A notícia é do G1. A decisão, após reunião dos ministros
da Corte, ocorre na esteira dos avanços da investigação da Polícia Federal
sobre o caso. Em nota, o STF informou que o ministro – "considerados os
altos interesses institucionais" – pediu que o tema fosse redistribuído
para outro ministro relatar o caso.
Relatório dos investigadores enviado ao Supremo na última
segunda-feira (9) trouxe menções sobre o magistrado, a partir de dados do
celular do banqueiro Daniel Vorcaro. O presidente do STF, ministro Edson
Fachin, informou aos colegas sobre os achados da PF na reunião.
O magistrado também enviou o documento à
Procuradoria-Geral da República (PGR).
O que disse Toffoli
Em nota divulgada nesta quinta-feira, Toffoli esclareceu
sua participação societária na empresa Maridt. Também negou relação pessoal ou
financeira com o banqueiro Daniel Vorcaro.
O ministro admitiu que integra o quadro societário da
empresa, mas que a administração é feita por parentes.
A nota afirmava ainda que essa condição é permitida pela
Lei Orgânica da Magistratura (Loman), que veda apenas que magistrados exerçam
atos de gestão.
Investigações
As apurações sobre irregularidades na gestão do Banco
Master chegaram em dezembro do ano passado ao Supremo Tribunal Federal. Na
ocasião, Toffoli decidiu que o caso tramitaria na Suprema Corte.
A apuração inicial tramitava na Justiça Federal em
Brasília e envolvia a operação de compra do banco pelo BRB. No âmbito deste
caso, Toffoli determinou depoimentos e acareação no penúltimo dia do ano. Em
janeiro, autorizou a prorrogação das investigações.
Também em janeiro, o ministro autorizou uma operação da
Polícia Federal que em outra frente de investigações - desta vez, sobre um
suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e incluiu
buscas em endereços ligados ao controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e a
familiares, como o pai, a irmã e o cunhado.
Notas de Fachin e Toffoli em janeiro
Em 22 de janeiro, o presidente Edson Fachin divulgou uma
nota sobre as investigações envolvendo fraudes financeiras no país. Sem citar
diretamente o Banco Master, defendeu a atuação das instituições, mas afirmou
que eventuais "vícios" e "irregularidades" serão
examinados.
"É legítimo o exercício regular da jurisdição por
parte dos membros do Tribunal no período do recesso, sem exceção. Eventuais
vícios ou irregularidades alegados serão examinados nos termos regimentais e
processuais. Questões tais têm rito próprio e serão apreciadas pelo colegiado
com a seriedade que merecem. A Presidência não antecipa juízos, mas tampouco se
furta a conduzi-los", afirmou Fachin.
Dias depois, Toffoli sinalizou, em outra nota, a
possibilidade de enviar o caso para a primeira instância da Justiça - mas
pontuou que isso só seria decidido depois da conclusão das investigações da
Polícia Federal.
Esse texto foi copiado do Blog do Gustavo Negreiros. Para
ter acesso completo a matéria acesse gustavonegreiros.com.br
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