Os ministérios da Fazenda e do Planejamento anunciaram
nesta sexta-feira um bloqueio de R$ 22,1 bilhões no Orçamento federal de 2026.
Como já havia R$ 1,6 bilhão congelado anteriormente, o total de despesas
travadas pelo governo chega agora a R$ 23,7 bilhões.
O governo ainda não informou
quais áreas serão afetadas.
Segundo o Ministério do
Planejamento, os cortes devem ser divididos de forma proporcional entre os
órgãos federais.
O principal motivo do bloqueio
foi o aumento das despesas obrigatórias, principalmente com o Benefício de
Prestação Continuada (BPC), cuja previsão de gasto subiu R$ 14,1 bilhões.
Os gastos com a Previdência
Social também cresceram. A estimativa aumentou em R$ 11 bilhões, levando a
projeção total para R$ 1,122 trilhão em 2026.
Por outro lado, houve redução
de R$ 3,4 bilhões nas despesas com pessoal e encargos sociais.
Pressão nas contas públicas
Mesmo com a alta das receitas,
especialistas afirmam que o governo subestimou despesas com aposentadorias e
benefícios sociais.
Um estudo da Consultoria de
Orçamento da Câmara aponta que os gastos com Previdência e BPC podem superar a
previsão em R$ 18 bilhões em 2026, o que pode exigir novos cortes ao longo do
ano.
Especialistas também afirmam
que a redução da fila do INSS elevou os gastos, porque aumentou o pagamento de
benefícios atrasados.
A fila do INSS caiu de 3,1
milhões de pedidos em fevereiro para 2,3 milhões em maio, segundo dados do
governo.
Levantamento do especialista
Rogério Nagamine mostra que, entre 2023 e 2025, a diferença entre o gasto
previsto e o efetivamente pago na Previdência acumulou R$ 75,6 bilhões.
Apesar do bloqueio, o governo
mantém a projeção de fechar 2026 com resultado fiscal ajustado positivo de R$
4,1 bilhões, após descontar despesas autorizadas fora da meta, como
precatórios.
Bloqueio não é contingenciamento
O governo explicou que o
bloqueio ocorreu porque as despesas ultrapassaram o limite permitido pelas
regras fiscais. Nesse caso, são reduzidos gastos discricionários, como
investimentos e manutenção da máquina pública.
Já o contingenciamento
acontece quando a arrecadação cai e ameaça a meta fiscal. Desta vez, isso não
foi necessário porque a arrecadação cresceu, principalmente com o petróleo.
Segundo a Receita Federal, a
arrecadação com exploração de petróleo e gás natural aumentou 264% no primeiro
quadrimestre do ano, saltando de R$ 11 bilhões para R$ 40,2 bilhões.
A alta foi impulsionada pelo
aumento do preço do petróleo após a guerra no Oriente Médio. O governo estima
arrecadar até R$ 40 bilhões extras com esse cenário.
Com isso, a arrecadação
federal chegou a R$ 735 bilhões nos quatro primeiros meses do ano, recorde
histórico para o período.
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