Silêncio total. Essa foi a estratégia adotada pelo
ex-prefeito Allyson Bezerra (União Brasil) e pelo prefeito Marcos Medeiros
(Republicanos) acerca do afunilamento relacionado às investigações da Polícia
Federal, sequenciando a operação Mederi. Desde que a investigação se tornou
pública, com mandados de busca e apreensão, prefeito e ex-prefeito seguem na
mais profunda reclusão temática, deixando o cidadão sem os devidos
esclarecimentos.
O que se sabe sobre a investigação em si tem base no trabalho
da Polícia Federal e do Ministério Público Federal. As duas instituições
trabalham conjuntamente para apresentar respostas relacionadas ao suposto
esquema de desvio de recursos da saúde envolvendo a Prefeitura de Mossoró e a
Dismed, empresa de distribuição de medicamentos. Tudo com o provável suporte de
quem teria comando em contratos na Secretaria de Saúde, bem como de ordens para
atender determinadas demandas contratuais.
A crise que se instalou na Prefeitura de Mossoró tem um
incremento a mais: é ano eleitoral e Allyson Bezerra, que estava no Palácio da
Resistência até 27 de março que passou, vai disputar o Governo do Estado.
Quando se fala em crise, é no sentido de que o tema chamado “operação Mederi”
vem sendo o que pode ser chamado de “calcanhar de Aquiles” da gestão municipal.
Parafraseando o poeta Carlos Drummond de Andrade, pode-se
dizer que existe, por analogia e no campo político, uma pedra no meio do
caminho do ex-prefeito Allyson Bezerra. A depender da interpretação que se
faça, o quantitativo de obstáculos pode ser bem maior e com implicações sérias,
robustas e que podem afetar o projeto que ele idealizou ainda na campanha
eleitoral de 2024, quando se reelegeu prefeito.
Tudo porque, quando se faz a devida leitura do material que
consta da investigação da Polícia Federal, existem provas, seja por meio de
ligações telefônicas ou de mensagens de whatsApp, que ligam prefeito e
ex-prefeito ao esquema de desvio de verba pública na Secretaria de Saúde de
Mossoró.
Inclusive, no processo (4710006-32.7202.4.05.0000) que tramita no Tribunal Regional Federal 5 (TRF5) são citados valores e percentuais que chegariam ao prefeito Marcos Medeiros e ao ex-prefeito Allyson Bezerra. O jornalista Dinarte Assunção, no Blog do Dina, tem feito ampla divulgação do trabalho feito pela Polícia Federal, bem como da análise já feita pelo Ministério Público Federal, dando conta de que o atual prefeito de Mossoró seria o elo entre a Prefeitura e a empresa Dismed.
Operação
Mederi tende a ser explorada no decorrer da campanha eleitoral deste ano
Até agora, o suposto esquema de corrupção na Secretaria
Municipal de Saúde não teve o devido alcance político priorizado pelos
adversários de Allyson Bezerra. Frise-se, também, que a oposição municipal não
tem se mexido para dar amplitude ao problema constatado pela Polícia Federal.
Contudo, como a eleição estadual é diferente de uma campanha
municipal, Allyson Bezerra pode ter uma certeza: o escândalo na Secretaria
Municipal de Saúde será uma das peças que terá destaque no decorrer da campanha
eleitoral que se aproxima.
Por enquanto, está sendo moleza para o ex-prefeito de Mossoró
cumprir agenda na pré-campanha, uma vez que grande parte do eleitorado não
estaria por dentro do que se deu entre 2021 a 2025 na Prefeitura da segunda
maior cidade do Rio Grande do Norte.
Faz-se necessário informar ainda que o ex-prefeito de Mossoró
vai enfrentar duas outras candidaturas tidas como fortes quando houver a
homologação destas nas convenções partidárias. Fala-se aqui do ex-prefeito
natalense e ex-deputado estadual Álvaro Dias (PL) e Cadu Xavier (PT),
ex-secretário estadual da Fazenda. Ambos, seja por orientações partidárias ou
conhecimento próprio, têm consciência de que só um será eleito governador e que
todas as particularidades negativas devem ser ampliadas para que o eleitorado
faça o que julgar mais coerente dentro do aspecto ético e moral.
Jornal de Fato
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