O Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região manteve,
por unanimidade, a condenação do Município de Mossoró por falhas graves na
gestão de contratos terceirizados, rejeitando o recurso apresentado pela
Prefeitura. A decisão, resultado de ação do Ministério Público do Trabalho no
Rio Grande do Norte, escancara problemas estruturais na condução administrativa
do município.
O julgamento reforça que a
Prefeitura falhou no dever básico de fiscalizar contratos, permitindo atrasos
salariais, descumprimento de obrigações trabalhistas e até indícios de
interferência política na gestão da mão de obra terceirizada — um cenário que a
Justiça considerou incompatível com a responsabilidade do poder público.
A tentativa do município de
afastar a competência da Justiça do Trabalho foi rechaçada. Para o tribunal,
não há dúvida: o caso envolve diretamente direitos trabalhistas e, portanto,
exige atuação firme do Judiciário.
Decisão expõe fragilidade administrativa
A manutenção da condenação
obriga a gestão municipal a sair do discurso e adotar medidas concretas. Entre
elas, a criação de um programa de integridade, implantação de compliance e
estabelecimento de fiscalização técnica — algo que, na prática, a própria
decisão indica que não vinha sendo feito de forma eficaz.
A decisão é um duro recado à
condução administrativa da Prefeitura de Mossoró, que até o mês de março estava
sob o comando do prefeito Allyson Bezerra, já que as falhas apontadas dizem
respeito à estrutura de controle da gestão.
Além das obrigações
estruturais, o município foi condenado ao pagamento de R$ 50 mil por dano moral
coletivo — valor que será destinado a projetos sociais. Em caso de
descumprimento, a multa é de R$ 5 mil por dia.
Para o procurador do Trabalho
Afonso Rocha, a decisão deixa claro que não há mais espaço para fiscalização
“de fachada”. “Os municípios precisam investir em estruturas permanentes, com
controle técnico e compromisso real com os trabalhadores”, afirmou.
Blog do BG
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