O Congresso derrubou o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao projeto que reduz as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023 — medida que beneficia diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja pena de 27 anos foi diminuída.
A votação, segunda derrota do governo em
menos de 24 horas, teve ampla repercussão na imprensa
internacional, que interpretou o resultado como evidência do enfraquecimento
de Lula diante de um Legislativo de maioria
conservadora, a poucos meses do pleito de outubro.
Leitura
externa: governo sem apoio parlamentar
Para o jornal argentino La
Nación, a sequência de reveses expõe uma crise de governabilidade. “A
oposição, liderada por figuras do movimento de Bolsonaro, interpreta esses
resultados como prova de que o governo carece de governabilidade e respeito do
Congresso Nacional”, escreveu o veículo.
O espanhol El País foi na mesma direção ao afirmar que a dupla derrota
evidencia “o quanto a já
frágil relação de Lula com o Congresso se deteriorou”, acrescentando que a “margem confortável” dos votos contrários ao veto “confirma o
estado extremamente precário das relações entre o governo e o Congresso de
maioria conservadora, a poucos meses das eleições”.
Eleições
em xeque e disputa no STF
O americano Washington Post destacou
que a derrubada do veto pode ser contestada no Supremo Tribunal Federal e que a
decisão do Congresso poderia potencialmente “virar de cabeça para
baixo” as eleições de outubro.
O jornal britânico The
Guardian, por sua vez, lembrou que Lula “nas pesquisas parece
praticamente empatado com o filho de Bolsonaro” e que as
derrotas “estão sendo amplamente interpretadas no Brasil como mais uma
prova” de que o presidente “enfrentará uma eleição difícil”.
A validade jurídica da votação ainda pode ser
analisada pelo STF, o que mantém incerto o impacto real da medida sobre a
situação eleitoral de Bolsonaro.
O Antagonista
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