A possível, e cada vez mais provável, alteração nas
regras de jornada de trabalho no Brasil começa a gerar apreensão em setores que
dependem de operação contínua.
Em meio ao avanço da proposta do fim da escala 6×1
na Câmara dos Deputados, representantes de empresas de serviços já projetam
impactos diretos na estrutura de custos e no ritmo de geração de empregos
formais.
A preocupação se concentra especialmente em atividades com
alta dependência de mão de obra, como limpeza, conservação e suporte
operacional — áreas em que a redução de carga horária exige, na prática, mais
trabalhadores para manter o mesmo nível de funcionamento.
Custo operacional entra
no centro do debate
A discussão ganhou tração na Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania, etapa inicial da tramitação das propostas. Caso avance,
o texto ainda passará por comissão especial antes de seguir ao plenário.
Para a Federação Nacional das Empresas Prestadoras de
Serviços de Limpeza e Conservação, o principal ponto de atenção está na equação
financeira das empresas.
Em setores com funcionamento ininterrupto, como hospitais,
escolas e aeroportos, a adaptação tende a ser ainda mais complexa.
Setor teme desaceleração na geração de empregos
O segmento vinha apresentando crescimento relevante. Dados do
Novo Caged mostram a criação de mais de 80 mil vagas formais entre janeiro e
julho de 2025.
A avaliação de entidades empresariais, porém, é de que esse
ritmo pode perder força caso a mudança na jornada seja implementada sem ajustes
paralelos.Risco de efeito reverso entra no radar
O presidente da Febrac, Edmilson Pereira, aponta que a
proposta pode produzir resultado oposto ao esperado.
“Sem ajuste nos encargos e sem um período de adaptação, o
aumento de custos pode levar empresas a reduzir contratações ou até cortar
postos formais.”
Na prática, empresas poderiam responder ao aumento de
despesas com medidas de contenção, incluindo redução de vagas ou revisão de
contratos.
Ambiente tributário
amplia pressão
Outro fator que pesa na análise é o custo estrutural da mão
de obra no Brasil. Com encargos elevados, qualquer alteração que encareça a
operação tende a gerar efeitos em cadeia:
Especialmente em contratos públicos, onde há limitações
orçamentárias, o espaço para absorver aumentos é reduzido.
Setor defende transição
gradual
Diante do cenário, a Febrac defende que eventuais
mudanças sejam implementadas de forma progressiva, com medidas compensatórias e
diálogo entre governo, empresas e trabalhadores.
A tendência é que o tema ganhe intensidade nas próximas
etapas de tramitação, ampliando o debate sobre os impactos econômicos e sociais
da medida — especialmente em um mercado ainda sensível à geração de empregos
formais.
BNews Natal
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