O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aconselhou
pessoalmente o empresário Daniel Vorcaro a não vender o Banco Master ao BTG
Pactual por um valor simbólico. De acordo com a reportagem, Vorcaro contou a
Lula que o BTG, comandado por André Esteves, teria interesse em comprar o banco
por R$ 1. O empresário pediu a opinião do presidente sobre a possível venda,
segundo reportagem publicada neste domingo (17), no site Poder 360.
Lula teria orientado Vorcaro a continuar com o banco e
criticado o então presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, além de
fazer comentários negativos sobre André Esteves.
A conversa aconteceu em uma reunião no Palácio do Planalto,
em 4 de dezembro de 2024, sem registros oficiais na agenda do presidente, e
quando o Banco Master já enfrentava dificuldades financeiras.
Esse encontro de 4 de dezembro de 2024 foi
articulado depois de uma audiência formal registrada na agenda do chefe do
Gabinete Pessoal da Presidência, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. A
audiência constou como realizada em 4 de dezembro, mas só entrou no sistema
oficialmente em 27 de dezembro daquele ano, com Guido Mantega, ex-ministro da
Fazenda, listado como participante. Ele atuava como representante e lobista de
Vorcaro em Brasília.
Também participaram do encontro o então diretor do Banco
Central Gabriel Galípolo, o ministro Rui Costa, o ministro Alexandre Silveira e
Augusto Lima, então CEO do Banco Master.
Vorcaro interpretou a presença de Galípolo e o apoio de Lula
como um incentivo para manter o banco funcionando, segundo a reportagem.
Mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o
empresário comemorou o encontro logo depois da reunião no Planalto.
Em março de 2025, o Banco Master anunciou negociação com o
Banco de Brasília, mas o negócio enfrentou resistência no mercado e acabou
vetado posteriormente pelo Banco Central.
Documentos encontrados pela PF também indicam que Vorcaro
voltou a discutir, em abril de 2025, a possibilidade de vender o banco ao BTG
após perceber dificuldades na operação com o BRB.
O caso é investigado na operação Compliance Zero e está sob
relatoria do ministro André Mendonça no Supremo Tribunal Federal.
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