O atentado sofrido por Cabo Deyvison, que deixou o
vereador ferido e resultou na morte de seu cinegrafista e assessor, provocou
uma enxurrada de manifestações de solidariedade de políticos de todas as
correntes ideológicas do Rio Grande do Norte. As redes sociais foram tomadas
por notas de pesar, vídeos emocionados e discursos de indignação. Mas, diante
de mais um episódio brutal de violência, surge uma pergunta inevitável: onde
estavam essas mesmas vozes quando a insegurança já avançava sobre a população
comum?
O problema não começou com o atentado contra um agente
político. Há anos, o Rio Grande do Norte convive com altos índices de violência,
assaltos, homicídios e a crescente sensação de insegurança. Em Mossoró, a
população acompanha com preocupação o aumento das mortes violentas, enquanto
cobra das autoridades respostas mais efetivas e permanentes.
A classe política parece funcionar sob uma lógica
preocupante: quando a violência atinge um cidadão anônimo, o silêncio
prevalece; quando alcança alguém com projeção política, instala-se uma
verdadeira competição por espaço nas manchetes e nas redes sociais. A tragédia
vira palco, a indignação vira discurso e a solidariedade transforma-se em ativo
político.
Nesse cenário, chama atenção a postura do Governo do
Estado. A governadora é a principal autoridade responsável pela condução das
políticas de segurança pública e, diante da escalada da violência, a sociedade
espera mais do que manifestações protocolares. Espera liderança, planejamento,
presença e resultados concretos. O que a população deseja ouvir não são apenas
declarações de repúdio, mas anúncios de ações capazes de impedir que novas
famílias passem pela mesma dor.
O atentado contra Cabo Deyvison não é um fato isolado.
Ele simboliza uma realidade que milhares de potiguares enfrentam diariamente. A
diferença é que, desta vez, a vítima tinha visibilidade pública. Por isso, o
episódio ganhou repercussão estadual e mobilizou autoridades que, muitas vezes,
permanecem distantes quando as vítimas são trabalhadores, comerciantes, jovens
ou pais de família sem influência política.
É evidente que o caso precisa ser investigado com rigor e
que os responsáveis devem ser identificados e punidos. Mas limitar o debate à
investigação criminal é ignorar a raiz do problema. A insegurança pública não
será resolvida com notas de solidariedade, entrevistas coletivas ou publicações
nas redes sociais.
O Rio Grande do Norte precisa de menos encenação política
e mais responsabilidade administrativa. Precisa de governantes que enfrentem a
violência com ações efetivas, investimentos estratégicos e presença constante,
não apenas quando uma tragédia gera repercussão pública.
Porque, no fim das contas, a população não precisa de atores interpretando indignação diante das câmeras. Precisa de líderes capazes de garantir aquilo que é um direito básico de qualquer cidadão: viver sem medo.
