O Tribunal de Contas da União rejeitou pedidos da Associação Brasileira de Energia Eólica e Novas Tecnologias e manteve o entendimento de que o Ministério de Minas e Energia deve revisar uma portaria que flexibilizava mudanças em projetos de energia renovável sem perda de benefícios tarifários. A decisão tem impacto direto sobre estados como o Rio Grande do Norte, líder nacional na geração de energia eólica e com forte expansão também na área solar.
Na prática, a regra permitia que empreendedores
comprovassem o início das obras dentro do prazo legal e, depois disso,
alterassem características importantes dos projetos, como localização, potência
instalada e equipamentos, mantendo o direito a descontos no uso dos sistemas de
transmissão e distribuição.
Para o relator do processo, ministro Walton Alencar
Rodrigues, atos como portarias ministeriais não podem criar direitos além do
que está previsto em lei. Segundo ele, a norma autorizava o ministério a
regulamentar exigências técnicas, como garantias financeiras e critérios para
caracterizar o começo das obras, mas não a permitir mudanças amplas com
preservação automática do subsídio.
O TCU avaliou que essa flexibilidade poderia transformar
o benefício em um tipo de ativo negociável. No entendimento do tribunal,
haveria risco de empreendimentos obterem o direito ao desconto e depois
transferirem ou remodelarem projetos em condições diferentes das aprovadas
inicialmente.
Para o Rio Grande do Norte, onde dezenas de parques
eólicos operam e novos investimentos seguem em análise, a decisão é relevante
porque muitos projetos dependem de ajustes ao longo do desenvolvimento.
Mudanças tecnológicas em turbinas, dificuldades de conexão ao sistema elétrico
e licenciamento ambiental costumam exigir revisões de traçado e localização.
Empresas do setor defendem que essas adaptações são
naturais em projetos de longa maturação e ajudam a tornar os investimentos mais
eficientes. Já o tribunal entende que mudanças precisam ter limites para não
descaracterizar o empreendimento originalmente enquadrado na política pública.
O estado concentra uma das maiores carteiras de projetos renováveis do país, especialmente nas regiões do Mato Grande, Serra de Santana e litoral Norte. Qualquer endurecimento regulatório tende a aumentar a necessidade de planejamento prévio e pode alongar cronogramas de novos parques.
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