A contratação realizada pela gestão do prefeito de
Mossoró, Alysson Bezerra, para a construção do novo Estádio Nogueirão e do
Centro Administrativo Municipal foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado
(TCE-RN) após identificação de indícios graves de irregularidades no processo
licitatório.
A decisão ocorre após
auditoria da Diretoria de Controle de Infraestrutura e Meio Ambiente (DIA), que
apontou falhas que vão desde o descumprimento de exigências legais até a
inviabilidade econômica do modelo proposto. Diante dos achados, a equipe
técnica recomendou medida cautelar para suspensão imediata da licitação.
Entre as principais
irregularidades identificadas está o não envio da documentação ao TCE com
antecedência mínima de 120 dias, prazo obrigatório para análise prévia de legalidade.
A auditoria também constatou a ausência de uma Matriz de Alocação de Riscos no
edital — item exigido pela nova Lei de Licitações — o que compromete a
segurança jurídica do processo e afasta potenciais investidores.
Outro ponto considerado crítico
é a falta de fundamentação dos valores apresentados. Segundo o TCE, não há
memória de cálculo nem pesquisa de mercado que justifique os preços e
avaliações imobiliárias utilizados na modelagem do projeto.
A análise financeira do
contrato acendeu ainda mais o alerta da Corte de Contas. Os cálculos indicam
que seriam necessários 333 meses — quase 28 anos — apenas para amortizar o
investimento inicial, sem qualquer pagamento de outorga ao município nesse
período. Considerando uma taxa de retorno de 8%, o modelo projetado geraria
prejuízo estimado de R$ 12 milhões ao investidor.
“O empreendimento se mostra
completamente inviável”, aponta o relatório técnico, destacando que o
contratado teria como resultado um prejuízo significativo ao longo da execução.
O contrato prevê uma concessão
de 35 anos à iniciativa privada, com investimento estimado em R$ 40,9 milhões.
Em contrapartida, parte de um terreno público seria permutada para viabilizar a
construção do Centro Administrativo de Mossoró — operação que também entrou no
radar do TCE pela falta de justificativas técnicas consistentes.
Além disso, o Tribunal alertou
que a ausência de documentos inviabilizou o acompanhamento adequado do
processo, configurando risco à legalidade da contratação e possibilidade de danos
ao erário.
Com a decisão, o processo
licitatório fica suspenso até nova deliberação do TCE, aumentando a pressão
sobre a gestão municipal e colocando sob questionamento um dos principais
projetos estruturantes da administração Alysson Bezerra.
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