A Procuradoria Regional Eleitoral no Rio Grande do Norte
(PRE/RN) emitiu parecer favorável à quebra de sigilo bancário e à realização de
perícia contábil em agências de publicidade que prestaram serviços à Prefeitura
de Mossoró e à campanha eleitoral de 2024.
O documento, assinado pela procuradora Clarisier Azevedo Cavalcante de
Morais em 17 de abril de 2026, ocorre no âmbito de um Mandado de Segurança que
tramita no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN).
A investigação principal (AIJE nº 0600126-95.2024.6.20.0033) apura suposto
abuso de poder econômico e político, além do uso indevido dos meios de
comunicação por parte do ex-prefeito Allyson Bezerra e seu vice, Marcos Antônio
Medeiros, que assumiu o comando do município no final de março.
Os impetrantes da ação, Lawrence Amorim e Carmem Júlia, alegam que
recursos da publicidade institucional do município foram desviados para
financiar uma rede de apoio digital e influenciadores durante o pleito de 2024.
Um dos pontos centrais que motivou o posicionamento do Ministério Público
foi um relatório técnico do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN). Segundo o
órgão de contas, foram identificadas “possíveis inconsistências” nos registros
financeiros da prefeitura.
Embora houvesse contratos vigentes para os anos de 2022, 2024 e 2025, o
TCE apontou ausência de execução orçamentária correspondente nesses períodos
nos sistemas de controle, registrando pagamentos apenas no exercício de 2021,
que somaram mais de R$ 3,2 milhões.
O Parecer da Procuradoria
Para o Ministério Público Eleitoral, a perícia contábil e
a quebra do sigilo são “imprescindíveis ao deslinde da causa” e à “descoberta
da verdade real”. A procuradora destacou que:
A medida é necessária para confrontar o fluxo financeiro real com as notas
fiscais apresentadas.
Existe suspeita de uma “triangulação de recursos”, onde verbas públicas
seriam desviadas para blogs e influenciadores.
O indeferimento dessas provas em primeira instância configuraria cerceamento
de defesa e violação constitucional.
As empresas que devem ter o sigilo quebrado, caso o TRE siga o parecer,
são: ART & C Comunicação Integrada, Dois A Publicidade, Executiva Agência
de Comunicação e 2HC Criatividade e Produções. O período solicitado abrange de
janeiro de 2021 a outubro de 2024.
A defesa dos investigados sustenta que as divergências
encontradas são meras falhas administrativas decorrentes da descentralização
orçamentária do município e que não configuram ilícito eleitoral. O processo
agora aguarda o julgamento definitivo pelo plenário do TRE/RN, sob a relatoria
do Juiz Federal Hallison Rego Bezerra.
O Mossoroensse
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