Documentos enviados pela Receita Federal à CPI do Crime Organizado detalham uma rede de pagamentos milionários do Banco Master a políticos, advogados e consultorias com forte trânsito em Brasília e ampliam a pressão sobre nomes ligados ao atual governo.
Entre os principais beneficiários está o ex-ministro Ricardo Lewandowski. O escritório de sua família recebeu R$ 6,1 milhões em depósitos iniciados em novembro de 2023. Ele deixou formalmente a sociedade em janeiro de 2024, pouco antes de assumir o Ministério da Justiça. A proximidade entre os repasses e sua entrada no governo levanta questionamentos sobre a transição entre atividade privada e função pública, especialmente diante da ausência de detalhamento sobre os serviços prestados.
Também figura na lista o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, cuja empresa, a Pollaris Consultoria, recebeu R$ 14 milhões. O volume expressivo dos pagamentos, sem discriminação clara das atividades realizadas, reforça dúvidas sobre a natureza da relação entre o banco e um dos nomes mais influentes da política econômica dos governos Lula.
O alcance político dos repasses chega ao Congresso e atinge o entorno do senador Jaques Wagner (PT-BA). Uma empresa ligada à sua família recebeu R$ 12 milhões. Embora não haja indicação de participação direta do parlamentar, o vínculo com o principal articulador do governo no Senado amplia o peso político do episódio e intensifica a cobrança por explicações, novamente em um cenário marcado pela falta de transparência sobre os serviços contratados.
Os documentos integram um conjunto de apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e conexões com organizações criminosas. Nesse contexto, o volume dos pagamentos e a ausência de informações detalhadas sobre as contrapartidas elevam o desgaste político e mantêm sob pressão figuras com influência direta no governo e no Congresso.
Outros nomes aparecem na relação com valores relevantes. O escritório do ex-presidente Michel Temer recebeu R$ 10 milhões, valor que ele contesta ao afirmar ter recebido R$ 7,5 milhões. A consultoria do ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles recebeu R$ 8,6 milhões. Empresas ligadas ao ex-ministro Ronaldo Bento receberam R$ 6,2 milhões, enquanto o ex-ministro Fabio Wajngarten aparece com R$ 3,8 milhões. O presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda, teve R$ 6,4 milhões declarados a escritórios ligados a ele, e ACM Neto recebeu cerca de R$ 1,8 milhão por meio de sua empresa de consultoria.
Diário do Poder
0 comentários:
Postar um comentário