O União Brasil e o PP não têm interesse em indicar um nome
dos seus quadros para disputar o mandato-tampão no RN. Essa foi a principal
conclusão da reunião realizada nesta segunda-feira pelas lideranças da
Federação Progressista, após uma análise minuciosa do cenário que deve se
configurar nos próximos 30 dias com a renúncia da governadora Fátima Bezerra.
O grupo se reuniu e avaliou que existem dois caminhos possíveis. O
primeiro é deixar que o PT conclua o governo, sob o entendimento de que o
desgaste tende a se acentuar e de que não há como reverter, a curto prazo, a
situação financeira do Estado. “Quem pariu Mateus, que balance”, resumiu o
ex-senador José Agripino, em entrevista concedida na manhã de hoje à Rádio Mix,
de Natal.
O segundo caminho seria a possibilidade de unir os dois palanques de
oposição para escolher um nome capacitado, sem viés eleitoral, que comece a
adotar desde já medidas saneadoras, permitindo que o próximo governador receba
uma casa mais organizada.
A federação PP/União Brasil, no entanto, não é favorável a essa segunda
alternativa. Ela entende que não é possível sanear o RN em prazo tão curto e
que o eventual “ungido” teria de adotar, de imediato, medidas impopulares,
remédios amargos. Em plena campanha eleitoral, seria inevitável que os efeitos
dessas decisões recaíssem sobre quem tivesse indicado o governador-tampão.
Diante dos prós e contras, União Brasil e PP decidiram que não há
interesse em tentar assumir o governo neste momento. A proposta que prevaleceu
na reunião é que o grupo participe das conversas em torno da eleição indireta,
mas sem reivindicar o direito de indicar um nome próprio.
O grupo também avaliou que, hoje, nenhum dos três palanques possui maioria
para vencer a eleição intermediária. Embora não tenha havido decisão sobre
quais acordos a chamada “Terceira Via” deve priorizar nas conversas, há uma
tendência de buscar diálogo com o governismo, caso isso se mostre mais
conveniente.
Essa preferência por manter uma aliança com o governismo se justifica
porque a federação avalia que entregar ao PL o controle do Governo neste momento,
anterior ao pleito de outubro, poderia fortalecer Álvaro Dias com a máquina
administrativa nas mãos, além de ele já ser beneficiado pela polarização
existente.
No debate interno, também surgiu o raciocínio de que o PT dispõe hoje de
duas máquinas em funcionamento: a federal e a estadual. Se Fátima não
renunciar, ambas atuarão a todo vapor, mesmo que ela não dispute o Senado. Caso
haja renúncia e seja escolhido para o mandato-tampão alguém com perfil mais
técnico e maior compromisso com o Estado, a máquina estadual ficaria menos
disponível para uso político do PT.
Agripino já havia declarado, na entrevista da manhã, que o caminho agora é
conversar internamente para definir quais rumos interessam à federação. Ele
defende a tese de que o PT tende a se desgastar ainda mais se permanecer com a
caneta até o final do mandato.
“O PT sozinho não tem votos; vai precisar de alianças e poderá enfrentar
alguém disposto a responsabilizá-lo pela conclusão da obra, para que o Estado e
o eleitor avaliem se vale a pena ou não insistir no PT”, argumentou Agripino.
“O PT tem a obrigação de ir até o final para que seja responsabilizado pela
história”, concluiu o ex-senador.
Neto Queiroz
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