O palanque da “Terceira Via” entrou em rota de colisão.
Enquanto a senadora Zenaide Maia defende que o grupo tente inviabilizar a
eleição de um nome do governo na eleição indireta para o mandato-tampão, com o
objetivo de impedir que Fátima Bezerra seja candidata ao Senado, a maioria dos
aliados prefere seguir caminho oposto.
O tema foi alvo de intenso debate nesta segunda-feira. PP e União Brasil
discutiram internamente e indicaram que não apresentarão candidatura própria ao
mandato-tampão. Para irritação de Zenaide, o grupo demonstra preferência por se
alinhar a um possível nome governista, desde que alguns critérios sejam
atendidos.
União Brasil e PP defendem que o PT apresente um nome que não esteja
diretamente envolvido no processo eleitoral, que não comprometa a máquina
pública com a campanha e que tenha capacidade de iniciar a busca pelo
equilíbrio das finanças do Estado.
O principal defensor dessa linha, contrária ao desejo de Zenaide, é o
ex-senador José Agripino. Ele avalia que, mesmo que Fátima Bezerra dispute o
Senado, atravessa um momento de baixa popularidade, com desaprovação elevada e
menores chances de êxito.
“Minha opinião é que o PT hoje está por baixo; o conceito do governo é
ruim. Então, caso Fátima seja candidata, não será uma eleição fácil. Ela vive
um processo de desgaste e sua votação tende a ser menor que antes”, argumentou
Agripino, na linha de que não é decisivo se Fátima disputará o Senado ou permanecerá
no governo até o fim.
Quem discorda frontalmente dessa avaliação é o prefeito de São Gonçalo do
Amarante, Jaime Calado, esposo de Zenaide. Para ele, a questão é objetiva:
Zenaide e Fátima são concorrentes diretas ao Senado. Se Fátima não disputar, as
chances de Zenaide aumentam significativamente; caso contrário, com Fátima na
corrida, as possibilidades se reduzem.
Zenaide e Jaime não ficaram satisfeitos com a decisão do grupo de dialogar
com o governo sobre o mandato-tampão. Eles defendem que a “Terceira Via”
priorize a inviabilização do PT na eleição indireta e, para isso, consideram
estratégico pressionar para que Fátima não renuncie e fique no governo até o
final.
A polêmica expõe uma realidade que já vinha sendo percebida nos
bastidores: Zenaide está sendo tratada como peça secundária dentro do
agrupamento, que não tem priorizado os interesses eleitorais da senadora.
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