As contas de luz no Brasil devem subir 8% em 2026, em
média, segundo projeções da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
O percentual representa praticamente o dobro da estimativa do mercado para
o IPCA, índice oficial de inflação, projetado em 4,1% no boletim Focus
divulgado nesta segunda-feira (16) pelo Banco Central.
A estimativa foi apresentada pelo diretor-geral da Aneel, Sandoval
Feitosa, em entrevista exclusiva ao programa “Alta Voltagem”, da CNN Infra.
“Para 2026, a nossa previsão é que as tarifas de energia elétrica cresçam, em
média, 8%. É maior que o IPCA e o IGPM e preocupa”, disse Feitosa.
A estimativa ocorre em um momento em que os reajustes já pressionam a
conta de luz em diferentes regiões do país. Em janeiro, foi aprovado um
reajuste médio de 24,13% nas tarifas da Roraima Energia. Mais recentemente, a
agência aprovou um reajuste de ordem de 8,6% para os clientes da distribuidora
Light e de 15,6% para os da Enel Rio.
De acordo com a agência, o principal fator por trás da elevação das
tarifas é o aumento de encargos do setor elétrico, especialmente os ligados à
CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), fundo bancado pelos consumidores que
financia subsídios e políticas públicas do setor.
A projeção da Aneel mostra que os encargos têm pressionado cada vez mais a
conta de luz ao longo dos anos. Segundo Feitosa, esse componente tem crescido
em ritmo muito superior ao da inflação e até mesmo ao das tarifas de
distribuição.
“De 2011 a 2026, nossa previsão é que os encargos setoriais crescerão 300%
quando comparados, por exemplo, com a tarifa de distribuição média, em torno de
158%. Apenas o serviço de distribuição, que é responsabilidade de regulação
técnica e econômica da Aneel, cresceu 109%. O IGP cresceu 150% e o IPCA 129%.
Os encargos setoriais estão a 300%”, afirmou.
A análise técnica da agência indica que os encargos setoriais, custos de
energia, transmissão e ajustes financeiros compõem o aumento projetado para
2026. Entre os principais impactos estão o crescimento da CDE, ajustes
financeiros tarifários e custos de contratos de energia no mercado regulado.
Os dados da Aneel apontam ainda que os componentes financeiros respondem
por cerca de 3,8 pontos percentuais do efeito tarifário médio, enquanto
encargos setoriais, energia e transmissão também contribuem para a elevação da
conta de luz.
A agência destaca que a estimativa ainda pode sofrer alterações ao longo
do ano, dependendo de fatores como revisões tarifárias das distribuidoras,
condições hidrológicas e mudanças em custos setoriais.
Além disso, a Aneel avalia medidas que podem reduzir parcialmente o
impacto tarifário em determinadas regiões, como o uso de recursos provenientes
da repactuação de pagamentos de geradoras pelo uso de bens públicos, que podem
ajudar a atenuar as tarifas em áreas da Sudam e da Sudene.
CNN
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