Olho D'água do Borges/RN -

A permanência de Fátima Bezerra no governo expõe fragilidade política, medo e fracasso do PT no RN

 

A decisão da governadora Fátima Bezerra de permanecer no cargo e desistir da disputa ao Senado não pode ser interpretada como um gesto de responsabilidade, mas sim como um sinal evidente de fragilidade política. A escolha expõe um cenário de desgaste administrativo e falta de viabilidade eleitoral, indicando que sua permanência não decorre de compromisso com a população, mas da ausência de alternativas.

Ao optar por continuar no governo até o fim do mandato, mesmo sem demonstrar interesse inicial, a governadora revela um impasse: não pode avançar politicamente e tampouco consegue se desvincular de uma gestão marcada por dificuldades. A decisão sugere não zelo, mas cálculo político diante de um contexto adverso, no qual faltam sucessores viáveis e sobram incertezas quanto ao legado administrativo.

As projeções fiscais agravam esse quadro. O Rio Grande do Norte pode encerrar 2026 com um déficit expressivo, estimado entre R$ 3 bilhões e R$ 6 bilhões, considerando passivos acumulados. O cenário evidencia um estado com baixa capacidade de investimento, comprometido por uma estrutura onerosa que consome quase toda a arrecadação.

Na saúde, os problemas persistem de forma estrutural. A rede estadual enfrenta dificuldades recorrentes, como falta de insumos, atrasos de pagamentos e superlotação. O Hospital Walfredo Gurgel permanece como símbolo dessa crise, enquanto a paralisação de obras na Unidade de Cuidados Intermediários do Método Canguru do Hospital Santa Catarina compromete o atendimento a recém-nascidos prematuros, ampliando o impacto social da ineficiência administrativa.

Na educação, apesar dos anúncios de investimentos, os resultados não acompanham o discurso. Problemas estruturais nas escolas e índices elevados de evasão mantêm o estado entre os piores desempenhos do país no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica, reforçando a percepção de desalinhamento entre planejamento e execução.

Diante desse cenário, a permanência da governadora até o fim do mandato impõe uma cobrança inevitável: que o restante da gestão seja utilizado para enfrentar, ainda que tardiamente, os problemas acumulados. Mais do que justificativas, espera-se ação concreta para mitigar danos e evitar que o estado seja entregue em condições ainda mais críticas ao próximo governo.

 

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