O Ministério
Público do Rio Grande do Norte (MPRN), o Tribunal de Contas do Estado (TCE/RN)
e o Ministério Público de Contas (MPC) publicaram uma nota técnica conjunta com
orientações aos gestores públicos do Rio Grande do Norte para garantir a
economicidade na contratação de artistas para os festejos juninos de 2026 e
demais eventos festivos. O documento embasou ainda uma cartilha informativa
sobre o tema.
Em 2025, as
cidades potiguares gastaram mais de R$ 192 milhões com shows, de acordo com os
dados do Painel de Festejos do TCE/RN. No total, foram firmados 2.363 contratos
de festas. Segundo o Painel, a cidade de Mossoró liderou o ranking dos
municípios que mais gastaram com esse tipo de evento, num total de R$ 25.723.883.
Em seguida apareceram as cidades de Natal com R$ 18.646.020 e Parnamirim com R$
9.304.800. Os números de Natal não contavam com os shows do “Natal em Natal”,
ocorrido entre o Natal e o Ano Novo.
Ainda de acordo
com o levantamento, o show mais caro na Capital do Oeste foi o de Wesley
Safadão (R$ 1,1 milhão), realizado no dia 18 de junho, seguido por Luan Santana
(R$ 985 mil). Os dois artistas se apresentaram no Mossoró Cidade Junina (MCJ).
O show mais caro na capital do estado também foi de Luan Santana, pelo mesmo
valor pago em Mossoró.
A nota técnica
divulgada nesta terça-feira (17) apresenta critérios para a pesquisa de preços
e para a avaliação da razoabilidade dos valores pagos pelos cachês. A
recomendação é que os gestores utilizem como referência a média dos contratos
firmados pelo artista no período de 1º de maio a 31 de julho de 2025, no
próprio estado, com atualização monetária pelo Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA) até a data da contratação em 2026.
Os órgãos de
controle destacam que, para chegar a esse valor, devem ser somados todos os
contratos realizados pelo artista nesse intervalo de tempo — registrados em
bases como o Painel Festejos, portais de transparência e o Portal Nacional de
Contratações Públicas (PNCP) — e o total dividido pelo número de contratações.
O resultado funciona como parâmetro mínimo para comparação de preços.
Comparabilidade
Segundo o texto,
o recorte temporal do ciclo junino busca garantir maior comparabilidade entre
as contratações, já que o período concentra eventos com características
semelhantes de demanda e mercado. O uso de dados recentes também reduz o risco
de defasagem e melhora a aderência aos valores praticados no período de maior
pressão por apresentações.
Os órgãos de
controle também poderão priorizar a análise de contratos com valores elevados
ou fora do padrão observado no mercado. Por isso, a orientação é que todos os
processos de contratação estejam devidamente fundamentados e documentados,
especialmente nos casos de maior impacto financeiro.
A nota técnica
também propõe a utilização de um mecanismo de alerta para identificar gastos
excepcionais. A metodologia se baseia na análise estatística das contratações
realizadas em 2025, permitindo identificar valores atípicos em relação ao comportamento
padrão do mercado.
Jornal de Fato
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