A governadora Fátima Bezerra não tem, neste momento,
nenhuma segurança sobre o desfecho da eleição para o chamado mandato-tampão no
Governo do Estado. Como o PT precisa de 13 votos na Assembleia Legislativa
para eleger o sucessor da governadora, o cenário atual é marcado muito mais por
dúvidas do que por garantias.
No governo, a avaliação é de
que a renúncia de Fátima só ocorrerá se houver certeza absoluta da existência
dos votos necessários para a eleição indireta. Até agora, porém, as negociações
políticas não produziram garantias concretas. Mesmo acordos que aparentam estar
encaminhados ainda estão distantes de assegurar os 13 votos.
Outro ponto considerado
essencial seria uma aliança com o presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira,
mas essa possibilidade, no momento, está longe de se consolidar.
Há ainda fatores
institucionais que aumentam a cautela. O primeiro ato do processo seria a
renúncia de Fátima. Depois disso, a eleição indireta ocorreria cerca de 30 dias depois,
um intervalo considerado arriscado politicamente. Dentro do governo existe o
temor de que acordos firmados agora possam ser desfeitos nesse período.
Também preocupa a
possibilidade de, após a renúncia da governadora, Walter Alves desistir de renunciar,
dentro de uma eventual estratégia articulada pelo MDB em conjunto com partidos
da oposição, como União Brasil e PP.
Diante desse cenário,
cresce dentro do governo o entendimento de que o risco de perder o controle do Executivo é
real, caso a oposição consiga reorganizar forças durante esse
intervalo.
Internamente, vários
argumentos começam a ganhar peso para justificar a possibilidade de Fátima não renunciar.
Um deles é que, se o objetivo de disputar o Senado seria ampliar a base do
presidente Lula, o impacto seria menor caso isso não ocorra, principalmente
diante da possibilidade de Zenaide Maia ser reeleita —
considerada também um voto alinhado ao governo federal.
Dentro do governo, há
consenso de que o maior prejuízo político não seria a ausência de Fátima na
disputa pelo Senado, mas sim a eventual perda do governo para a oposição.
Isso teria efeitos diretos sobre as chapas de deputado federal e estadual e
também sobre a própria disputa pelo Governo do Estado em 2026.
Nesse contexto, começa a
ganhar força dentro do PT uma alternativa: evitar a saída de Natália Bonavides da disputa
proporcional para preservar a nominata de deputado federal.
Assim, surge como plano
alternativo a possibilidade de o deputado Francisco do PT disputar o Senado no
lugar de Fátima.
O tema domina as conversas
internas no governo. Hoje, a tendência é que a renúncia da governadora esteja
cada vez mais distante, enquanto o nome de Francisco do PT passa a ser tratado
como uma alternativa real para a corrida ao Senado.
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