Olho D'água do Borges/RN -

Caiu a cortina do Consórcio Nordeste

A governadora Fátima Bezerra (PT) falou pela primeira vez desde que estourou o escândalo da compra dos respiradores que não foram entregues. Que os culpados paguem pelo erro, defendeu, sem nominar os culpados. Mas, quem são os culpados?

Vamos lá.

A compra de 300 respiradores por R$ 48,7 milhões, pagos antecipadamente pelos nove governadores nordestinos, inclusive Fátima Bezerra que mandou quase R$ 5 milhões dos cofres do Rio Grane do Norte, foi feita pelo Consórcio Nordeste, que é coordenado pelo governador da Bahia, Ruy Costa, do PT. Seria o petista baiano o culpado?

As investigações, que vão ganhar o reforço do Ministério Público Federal e da Polícia Federal, poderão oferecer uma resposta no futuro próximo.

Mas, não parece razoável a governadora potiguar se eximir de culpa, uma vez que fez o pagamento antecipado, antes mesmo da assinatura do contrato, celebrado sem licitação, em razão do “estado de calamidade”. Pode um gestor mandar dinheiro público antecipado, sem procurar saber o destino do dinheiro ou com quem está tratando a coisa pública?


Ademais, vale destacar que, se Fátima Bezerra procura passar a ideia que ela e o cofre do estado foram enganados, porque não anuncia a saída do Rio Grande do Norte do suspeitíssimo Consórcio Nordeste? Aliás, não há qualquer razão ou sentido, o RN continuar no referido consórcio. A insistência sugere, no mínimo, conivência.

O cenário torna-se ainda mais nebuloso com novas revelações. Duas delas são gravíssimas: 1 – a empresária Cristiana Prestes, da empresa HempCare, disse em depoimento à polícia que “intermediários” do Consórcio Nordeste ficaram com R$ 12 milhões; e a empresa Biogeonergy, que teria terceirizado o negócio, assumiu que recebeu R$ 24 milhões e que não devolverá o dinheiro porque investiu em equipamentos de respiradores, sem o devido certificado da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Só aí temos uma soma de R$ 36 milhões dos R$ 48,7 milhões pagos antecipadamente pelos governadores.

Isso significa que os recursos públicos dificilmente retornarão aos cofres dos estados. Estamos falando de quase 50 milhões de reais, dinheiro da saúde, que deveria estar salvando vidas.


Esses números ajudarão a investigação desenrolar o denso novelo que envolve o consórcio. Basta seguir a trilha do papel bordado para alcançar os malfeitores. Isso deve ocorrer à medida que as investigações avançarem.

Sem uma resposta clara, o que não ocorreu até aqui, todos os membros do consórcio, sem exceção, estão sob suspeita. A princípio, o crime de responsabilidade parece caracterizado. No mínimo, do mínimo.

Agora, um fato mostra-se inquestionável: o Consórcio Nordeste perdeu legitimidade sob o ponto de vista da transparência e honestidade no trato com a coisa pública. Quando foi criado, os governadores propagaram que o consórcio seria um exemplo de boa gestão do dinheiro público, porque serviria para baratear custos de serviços e aquisições dos estados nordestinos, em benefício do povo. 

Não cumpriu. Na primeira oportunidade, sucumbiu aos milhões de reais da saúde pública, como sugere o escândalo dos respiradores.

E pensar que o tal consórcio formou uma comissão de cientistas para orientar ações de enfrentamento à pandemia no Nordeste. A cortina caiu junto com os respiradores que não chegaram, apesar de pagos.

Fonte: Cesar Santos.

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