Olho D'água do Borges/RN -

Comício de Lula para Cadu “flopou” em Natal e público fraco marcou primeiro ato no Nordeste

Quem votar em mim, vote no companheiro Cadu para governador”. Foi com esse pedido que o presidente Lula tentou impulsionar a candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Rio Grande do Norte, na noite desta quinta-feira (20), na Arena das Dunas, em Natal.

O evento marcou o primeiro ato político de Lula no Nordeste voltado para as eleições de 2026, mas, apesar de toda a expectativa criada em torno da presença do presidente, o público ficou abaixo do que se esperava. Houve muito falatório e mobilização política em torno da agenda, mas, em presença popular, o ato “flopou”.

Nem mesmo a presença de Lula conseguiu produzir a demonstração de força que os organizadores buscavam para a largada da campanha de Cadu. A pequena plateia acabou se tornando uma das imagens políticas da noite.

Em seu discurso, Cadu procurou manter o foco na continuidade do projeto político e defendeu mais emprego, renda e qualidade de vida para a população. “O Rio Grande do Norte, o nosso estado, e o Brasil não vai retroceder. Nós vamos seguir adiante para trazer para o nosso estado mais emprego, mais renda, mais qualidade de vida para o nosso povo”, declarou.

O discurso teve aplausos dos presentes, mas o tamanho do público terminou dividindo as atenções com as falas do palanque. Para um evento com a presença do presidente da República e concebido para dar força à candidatura de Cadu, a mobilização ficou aquém da expectativa. 

ARROCHADO: General Girão encara abordagem da PF e defende direito de manifestação contra Lula na BR-101

 

Em uma demonstração de firmeza e prontidão, o deputado federal General Girão tomou a linha de frente durante uma abordagem da Polícia Federal a manifestantes na BR-101, em Natal. Ao presenciar a chegada dos agentes, que intervieram em um ato pacífico contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — que cumpria agenda na cidade nesta quinta-feira (20) —, o parlamentar decidiu permanecer no local e defender a continuidade da manifestação.

Durante a abordagem, Girão adotou uma postura firme e corajosa, solicitou a identificação dos policiais e passou a dialogar diretamente com o delegado da Polícia Federal responsável pela operação, questionando a intervenção e defendendo o direito dos manifestantes de permanecerem no local.

O principal ponto de tensão ocorreu em torno do “pixuleco”, tradicional boneco inflável utilizado em manifestações contra Lula. Segundo o que foi informado durante a abordagem, os agentes pretendiam retirar o objeto sob o argumento de que sua exibição poderia configurar crime contra a honra do presidente.

Girão manteve sua posição e contestou a retirada do boneco, defendendo que a manifestação ocorria de forma pacífica e dentro da lei. Após o diálogo com a Polícia Federal, o impasse foi contornado, e o grupo pôde dar continuidade ao ato.

Blog do BG

MAIS UM CALOTE: Banco do Brasil trava depósitos após Governo Fátima não recompor fundo para precatórios

 

O Banco do Brasil suspendeu novos depósitos judiciais destinados ao pagamento de dívidas de precatórios do Governo do Estado. A decisão ocorreu após o Estado, comandado por Fátima Bezerra (PT), não recompor o Fundo Garantidor dentro do prazo estabelecido.

A suspensão foi comunicada pelo banco ao presidente da Assembleia Legislativa, Ezequiel Ferreira de Souza (PSDB). O bloqueio ocorreu porque o Governo Fátima Bezerra (PT) não fez, dentro do prazo regulamentar de 48 horas, a recomposição do chamado Fundo Garantidor, que funciona como uma garantia para assegurar a devolução dos valores dos depósitos judiciais quando necessário.

É mais um calote do governo do PT, que também não paga há meses fornecedores e prestadores de serviço. O terceirizados da saúde, por exemplo, entraram em greve porque estão sem receber.

As empresas que estão fazendo a recuperação das rodovias estaduais também vão paralisar as obras por falta de pagamento do Governo Fátima, como publicou ontem o Blog do BG.

Com informações da Tribuna do Norte 

Allyson tenta afastar imagem de Abraão Lincoln e quer impedir que adversários mostrem que são aliados

 

Campanha do ex-prefeito de Mossoró reage à peça que vincula candidato a Abraão, investigado no escândalo dos descontos indevidos do INSS

A campanha de Allyson Bezerra tenta dissociar a imagem do candidato ao Governo do Rio Grande do Norte de Abraão Lincoln, investigado no escândalo do INSS. O jurídico quer barrar na Justiça uma peça publicada pelo adversário Álvaro Dias relacionando Allyson e Abraão.

Abraão, no entanto, é coligado à campanha de Allyson, o que reforça a relação política entre os dois no atual processo eleitoral.

Na publicação questionada, Álvaro afirma que Allyson “se vende como o novo, mas caminha lado a lado com os mesmos nomes do passado” e apresenta uma fotografia dos dois. A imagem utilizada na peça é de domínio público e já foi veiculada anteriormente por diversos jornais e blogs.

Na própria ação, a coligação reconhece que a propaganda busca transmitir ao eleitor a percepção de “proximidade, relacionamento ou vinculação pessoal” entre Allyson e Abraão.

É justamente essa vinculação que a campanha de Allyson agora tenta afastar em plena disputa pelo Governo do Estado, apesar de Abraão integrar a coligação que sustenta sua candidatura. 

Lulinha, ‘Careca’, Marcola e lobista negociavam contrato de R$626 milhões do governo Lula

 

Era estimado em até R$ 626 milhões o negócio envolvendo Lulinha, filho de Lula (PT), a lobista Roberta Luchsoinger Antonio Camilo Antunes (o “Careca do INSS”) e Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, então chefe do Gabinete Pessoal do presidente da República para a venda de medicamentos ao Ministério da Saúde com base no canabidiol, substância econtrada na planta da maconha.

O plano de negócios, obtido pelo jornal O Globo e localizado nos celulares de Roberta e do “Careca do INSS”, previa o fornecimento de 1,2 milhão de frascos de 36 tipos de remédios. Os três são investigados pela Polícia Federal por suspeita de tráfico de influência. Com o escândalo envolvendo a participação do “Careca” no roubo bilionário a mais de 9 milhões de aposentados e pensionistas, o negócio do canabidional não chegou a ser concretizado.

Em 30 de julho, a PF pediu ao STF autorização para investigar Lulinha por possíveis crimes de corrupção e tráfico de influência no Ministério da Saúde envolvendo negócios com cannabis medicinal. Segundo o inquérito, Roberta teria sido contratada pelo “Careca” para viabilizar a compra e contado com a intermediação de Lulinha.

Mensagens de WhatsApp confirmam o envio da minuta a Marcola. O ex-chefe de gabinete reconheceu ter recebido o arquivo, classificou o ato como “inadequado” e afirmou que jamais deu andamento, negociou ou encaminhou qualquer termo da proposta no âmbito da administração pública.

Antes do envio, o plano teria sido estruturado pela equipe do “Careca do INSS”, preso por envolvimento em esquema de desvios e descontos indevidos em aposentadorias. A proposta detalhava o fornecimento milionário de frascos e foi mencionada em depoimento de uma testemunha ligada à World Cannabis, empresa do lobista.

Investigadores apreenderam versões de um “termo de referência” nos celulares dos investigados. A principal suspeita é de que o grupo pretendia entregar o documento pronto à pasta para influenciar e agilizar a compra. Áudios e mensagens mostram que Roberta e o “Careca” articulavam o negócio com base na dispensa de licitação, alegando um “cenário de emergência” com base na Nova Lei de Licitações. O lobista buscou fornecedores nos EUA e na Colômbia e afirmou que faria reuniões com técnicos do Ministério da Saúde.

Em nota, o Ministério da Saúde esclareceu que a investida não teve resultado prático, que o canabidiol não está incorporado ao SUS e que a pasta nunca comprou, forneceu ou debateu a oferta do produto na rede pública. Especialistas em direito sanitário reforçam que a pasta não realiza aquisições espontâneas desses fármacos, pois eles não integram a lista padronizada do SUS — compras ocorrem apenas pontualmente por importação para cumprir decisões judiciais.

As defesas do “Careca do INSS”, de Roberta Luchsinger e de Marcola foram procuradas pelo jornal, mas não se manifestaram até a publicação.

Diário do Poder

Professor João Maria comemora chegada do 3º veículo para a Saúde de Olho D’Água do Borges em apenas oito dias

Foto Ilustrativa

 

O suplente de vereador Professor João Maria comemora, nesta quarta-feira (20), a chegada do terceiro veículo destinado à Saúde de Olho D’Água do Borges em apenas oito dias, resultado de articulações junto à bancada federal do Partido dos Trabalhadores (PT). Veja aqui.

Depois da entrega de dois Volkswagen Polo, no último dia 13, viabilizados por meio de emenda parlamentar do deputado federal Fernando Mineiro (PT), o município foi novamente contemplado com uma caminhonete Fiat Titano, adquirida através de emenda da deputada federal Natália Bonavides (PT), também fruto da articulação do Professor João Maria.

Com a nova conquista, o município soma três novos veículos destinados exclusivamente ao fortalecimento da rede municipal de saúde, ampliando a estrutura disponível para o transporte de pacientes e o atendimento das demandas da secretaria.

"Cada veículo conquistado representa mais segurança, conforto e dignidade para quem precisa sair do município em busca de consultas, exames e tratamentos. Nosso compromisso é continuar trabalhando para trazer investimentos que melhorem a vida da nossa população. Com a chegada dos três novos veículos, espera-se que seja reforçada a capacidade de atendimento da Secretaria Municipal de Saúde, especialmente no transporte de pacientes que necessitam de deslocamentos para outros municípios em busca de atendimento especializado". Afirmou João Maria.

O suplente também agradeceu ao deputado Fernando Mineiro e à deputada Natália Bonavides pela destinação dos recursos que possibilitaram a renovação da frota da Saúde.

Terceirizados da saúde entram em greve por salários atrasados e Sesap diz ter repassado R$ 6 milhões

 

Trabalhadores terceirizados da rede estadual de saúde do Rio Grande do Norte iniciaram greve cobrando salários atrasados, resultado da falta de repasses às empresas prestadoras de serviço. A Secretaria Estadual de Saúde informou ter transferido cerca de R$ 6 milhões na sexta-feira 14. Parte das empresas efetuou os pagamentos; outras ainda não haviam regularizado a situação.

A paralisação atinge serviços de apoio que sustentam o funcionamento cotidiano dos hospitais — limpeza, alimentação, recepção e manutenção. São funções sem as quais a assistência não se sustenta, ainda que não apareçam na linha de frente do atendimento.

Um ciclo que se repete

O episódio não é isolado. Em julho, a mesma cobrança já havia mobilizado a categoria, e a Sesap informou na ocasião ter repassado mais de R$ 4 milhões a seis empresas terceirizadas, com pagamentos adicionais nos dias seguintes. Mesmo assim, trabalhadores relataram que os valores não chegavam às contas.

As queixas acumuladas incluem salários vencidos, vale-alimentação não pago, férias pendentes e ausência de depósitos do FGTS. Representantes da categoria têm defendido mudança no modelo de contratação da saúde pública estadual, com realização de concursos e redução da dependência de empresas terceirizadas.

O padrão é conhecido no Estado: em janeiro deste ano, uma greve do Sipern chegou ao quinto dia com protesto em frente ao Hospital Walfredo Gurgel, e o atraso de salários de terceirizados já havia exposto o problema em 2025.

Onde a greve dói

O efeito mais imediato aparece na alimentação hospitalar. Quando o serviço para, a rede precisa recorrer a soluções emergenciais para garantir as refeições de pacientes internados — e, em episódios anteriores, acompanhantes chegaram a assumir tarefas de limpeza em unidades do Estado.

A paralisação ocorre em um momento de pressão sobre as contas da saúde estadual. Levantamento do laboratório vinculado ao Ministério Público apontou que o Rio Grande do Norte aplicou 7,04% das receitas de impostos e transferências em saúde até junho, o menor percentual entre as 27 unidades da Federação, contra um mínimo constitucional de 12% ao ano.

A greve foi noticiada originalmente por O Correio de Hoje, em nota do Informe do Correio sobre a paralisação dos terceirizados.

Agora RN

 

Allyson tentou calar Dinarte, mas acabou revelando onde mais dói e como é feita a velha política

 

O candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil), ao acionar a Justiça Eleitoral para impedir que o jornalista Dinarte Assunção, do Blog do Dina, continuasse impulsionando conteúdos relacionados à operação da Polícia Federal que realizou buscas e apreensões em sua casa e, também, para impedir que o blog continuasse produzindo conteúdos sobre o tema, acabou expondo o incômodo que a investigação parece provocar no candidato.

É evidente que Allyson e seu marketing calcularam o custo e o benefício da ação na Justiça na tentativa de calar o jornalista. O benefício seria impedir que o jornalista mais bem informado sobre o tema pudesse apresentar novos conteúdos ou mesmo repercutir os atuais, silenciando, assim, uma das principais fontes da mídia estadual a respeito do assunto.

O custo dessa ação na Justiça, seria emitir sinais claros do quanto a Operação Mederi é custosa para ele e sua campanha e do quanto os fatos o atingem. Enquanto diz em todo canto que é normal que os órgãos de controle investiguem agentes públicos, Allyson demonstra, com a iniciativa judicial, o quanto o incomoda a repercussão da Polícia Federal em sua porta.

O que fica ainda mais claro nisso tudo é a contradição entre o discurso de Allyson Bezerra e sua atitude. O prefeito adota o discurso do “novo” na política, daquele que teria atitudes e pensamentos diferentes dos representantes da velha política, mas recorre aos mesmos instrumentos e práticas tantas vezes associados ao modelo que afirma combater no passado.

A ação contra Dinarte Assunção não visou unicamente impedir a divulgação de notícias sobre a Operação Méderi que desagradam ao candidato. O objetivo parece ter sido silenciar a fonte que apresentou o caso de maneira ampla ao público, com várias reportagens completas, bem elaboradas e acompanhadas de documentos que sustentam o que foi publicado.

Qualquer pessoa tem o direito de não gostar de Dinarte, discordar dele ou criticar seus posicionamentos. O que não se pode ignorar é a qualidade do trabalho jornalístico que ele tem apresentado. Não conheço Dinarte pessoalmente, mas tenho acompanhado seu trabalho nesse caso e tenho visto um jornalismo feito com zelo, critérios e documentação.

Quando Allyson colocou na balança o custo e o benefício de tentar calar Dinarte Assunção, talvez tenha esquecido que, no lado do custo, existem três fatores cujo preço pode ser elevado demais: a solidariedade que o bom jornalismo costuma despertar, a visibilidade que a tentativa de silenciamento acaba dando ao próprio assunto que se pretendia conter e a contradição de quem se apresenta como o novo, mas recorre a práticas que remetem ao que há de mais velho e ultrapassado na política.

Neto Queiroz

 

“Matemática de Mossoró acaba custando caro”, diz Álvaro Dias sobre investigação contra Allyson Bezerra

O candidato ao Governo do Estado, Álvaro Dias (PL), publicou nas redes sociais um vídeo que faz referência à “Matemática de Mossoró”, expressão que se popularizou após ter sido usada pelo empresário Oseas Monthalggan, sócio da empresa Dismed, em áudios das investigações da Operação Mederi.

O empresário supostamente explicava a um funcionário como funcionava a divisão de valores e o suposto esquema de superfaturamento em contratos de fornecimento de medicamentos e de pagamento de propinas para a Prefeitura de Mossoró, à época comandada pelo também candidato a governador Allyson Bezerra (União Brasil).

Na peça, uma professora inicia uma aula sobre a “Matemática de Mossoró”, cita um exemplo fictício utilizando uma compra de 400 quadros para escolas e questiona quantos itens seriam entregues. Um dos alunos logo responde: “400”, mas logo em seguida é retrucado com uma ironia por um colega de sala: “Mas foi em Mossoró. Lá na Prefeitura parece que é normal pagar 400 e receber só 140”, diz, fazendo referência às ordens de compra superfaturadas ou com entrega parcial de produtos citadas na investigação da Polícia Federal.

Blog do BG 

ACABOU O DINHEIRO: Governo Fátima deixa 367 projetos do RN fora da Lei Câmara Cascudo

 

Dos 492 projetos apresentados à Lei Câmara Cascudo em 2026, apenas 125 foram aprovados. Outros 367 ficaram de fora por falta de recursos, segundo alegou a própria Secretaria de Estado da Cultura (Secult).

A situação atinge projetos que já fazem parte do calendário cultural potiguar. Entre os eventos que podem deixar de acontecer estão o Festival de Jazz, projetos da produtora Diana Fontes e o tradicional Festival de Quadrilhas.

De acordo com o Blog do Gustavo Negreiros, produtores culturais questionaram a transparência na distribuição dos recursos e levantaram suspeitas de que projetos ligados a aliados políticos do governo teriam recebido prioridade.

Blog do BG

 

Allyson promete terceira ponte de Natal e duplicação do acesso a Pipa, mas não explica como vai pagar e nem custos e prazos.

 

O candidato ao Governo do Estado Allyson Bezerra (União Brasil) prometeu duplicar estrada que liga a BR-101 à Praia de Pipa (RN-003) e construir uma terceira ponte sobre o Rio Potengi, em Natal. Nos dois casos, ele não apresentou detalhes sobre localização, prazo de execução, orçamento ou fonte de recursos para as obras.

Apesar de não dar informações objetivas sobre os projetos, principalmente sobre o impacto financeiro, o próprio candidato condicionou a execução das duas obras à reorganização das contas do Rio Grande do Norte.

O RN destinou 56,12% da Receita Corrente Líquida Ajustada à folha de pagamento dos servidores públicos estaduais no primeiro quadrimestre de 2026, acima do limite máximo de 49% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal, além de acumular um déficit previdenciário superior a R$ 2 bilhões.

Com informações do Agora RN 

E AGORA? Relatório da PF não aponta crime cometido por jornalista do Maranhão alvo de operação de Moraes após reportagens sobre Dino

 

Relatório da Polícia Federal (PF) usado para embasar decisões do ministro do STF Alexandre de Moraes afirma não haver indícios de que o jornalista maranhense Luís Pablo Conceição Almeida tenha cometido crime de violação de sigilo funcional.

Luís Pablo entrou no radar da investigação após publicar reportagens sobre o uso de veículos oficiais por familiares do ministro Flávio Dino. A apuração identificou o ex-secretário maranhense Raimundo Cutrim como a fonte que teria repassado documentos e informações ao jornalista.

No documento, a PF diferencia as condutas e afirma que, em tese, o jornalista estaria protegido pela liberdade de imprensa. Já a eventual atuação de agente público que acessa informações restritas e as repassa para publicação poderia configurar violação de sigilo funcional.

Apesar disso, Moraes citou na decisão que autorizou as diligências devido a existência de indícios de possível perseguição contra Dino. A investigação também analisou conversas entre Luís Pablo e o advogado Diogo Diniz Lima, que teria enviado sugestões para matérias críticas ao ministro.

Os investigadores ainda encontraram ainda uma transferência de R$ 100 mil feita por Lima para a conta de Danilo Cutrim Bezerra, relacionada à compra de um imóvel rural de R$ 461 mil pelo jornalista. A PF registrou a transação e aprofundou a apuração sobre a relação entre os envolvidos, mas o relatório não conclui que o pagamento tenha sido feito em troca de reportagens.

 

TRE-RN manda retirar pesquisa que divulgou Allyson na liderança e aponta dúvidas sobre levantamento

 

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) determinou, nesta terça-feira (18), a suspensão da divulgação dos resultados para governador da pesquisa Data Census registrada sob o número RN-09307/2026. O levantamento havia sido divulgado por veículos de comunicação mostrando Allyson Bezerra na liderança da disputa pelo Governo do Estado. 

A decisão liminar é do desembargador eleitoral João Afonso Morais Pordeus e atende parcialmente a uma representação apresentada pelo candidato Raphael Ferreira Araújo contra o Instituto Data Census Potiguar. 

Segundo o TRE-RN, a pesquisa foi registrada oficialmente para medir as intenções de voto apenas para senador, deputado federal e deputado estadual. Apesar disso, o questionário aplicado aos entrevistados continha cinco blocos de perguntas para governador e os resultados dessa disputa foram posteriormente divulgados. 

A decisão também aponta inconsistências na documentação do levantamento, como uma nota fiscal emitida antes do período informado para a coleta, a assinatura do relatório estatístico depois da divulgação dos resultados e a presença de dados cadastrais de uma terceira empresa no relatório técnico. 

Para o magistrado, essas inconsistências “corroboram a dúvida” sobre a confiabilidade procedimental da pesquisa. A decisão destaca ainda que a circulação dos números para governador poderia induzir o eleitorado a erro e afetar a igualdade entre os candidatos. 

Com a liminar, o Data Census está proibido de divulgar os resultados para governador vinculados à pesquisa. O TRE também determinou que Mega Portal RN, Blog do Ismael Medeiros e Blog Geraldo Carneiro retirem as publicações em até 24 horas, sob pena de multa diária de R$ 5 mil. 

O instituto terá ainda dois dias para entregar à Justiça Eleitoral os microdados, mapa dos setores censitários e planilhas de controle da coleta, permitindo uma análise mais aprofundada da pesquisa. A decisão é liminar e o mérito da representação ainda será julgado.

MPF defende que a Operação Mederi continue no TRF-5 — e cita elementos envolvendo Allyson Bezerra

 

O Ministério Público Federal juntou aos autos da Operação Mederi um parecer em que defende a permanência do caso no Tribunal Regional Federal da 5ª Região. E o argumento que usa para isso mira dois gestores. O “desenvolvimento regular das diligências”, diz o texto, revelou “elementos veementes” relacionados a Allyson Leandro Bezerra Silva, de Mossoró, e a João Evaristo Peixoto, de Paraú — “os quais figuram no polo investigado do presente inquérito”.

A manifestação é de 12 de agosto, assinada pela procuradora regional da República Acácia Soares Peixoto Suassuna. Não é peça de ofício: é a resposta formal do Ministério Público ao requerimento que a defesa da Dismed Distribuidora de Medicamentos protocolou em junho, e que o Blog do Dina revelou na semana passada. A defesa pede o envio do caso à primeira instância e a anulação de tudo o que a investigação produziu.

O que está em jogo é grande. Se o TRF-5 seguir o parecer, cai o pedido central da defesa. Nada é anulado. A escuta ambiental instalada dentro da empresa em Mossoró continua de pé. E o caso permanece sob supervisão do desembargador Rogério Fialho Moreira. Quem decide é o tribunal — o parecer opina, não determina.

No mesmo documento, o Ministério Público faz um pedido que corre na direção oposta: quer a revogação das tornozeleiras eletrônicas de sete investigados.

A pergunta que o blog deixou em aberto

A reportagem sobre o pedido da Dismed terminou com uma pergunta dirigida à Procuradoria Regional da República: depois da decisão de junho de 2024, o órgão manteve o entendimento de que a competência era da primeira instância?

O parecer responde: não.

A defesa tinha se apoiado no Parecer nº 14254/2024, da então procuradora Sônia Maria de Assunção Macieira. Aquele texto opinava pelo declínio do caso para uma vara federal do Rio Grande do Norte. O novo parecer lembra que a manifestação “não foi acolhida” e que a competência do tribunal foi mantida. Depois vai além: hoje, escreve, “não há fundamento para o declínio da competência pretendido pelos requerentes”.

O documento que a defesa citou como aliado ganhou uma segunda parte. E ela joga contra.

O que os autos trazem sobre Allyson

O parecer não descreve os elementos. Aponta onde estão: a Informação de Polícia Judiciária nº 076/2025, página 32, e a representação da PF nos autos da representação criminal.

Essa é a peça em que a Polícia Federal analisou o material da escuta. É ela que sustenta o que o Ministério Público chama agora de elementos veementes.

Na página exata que o parecer indica, a PF descreve um diálogo entre dois sócios da Dismed. Oseas Monthalggan Fernandes Costa explica ao sócio Moabe, “por meio da matemática de Mossoró”, como seria a partilha de percentuais. A análise policial trata esses percentuais como comissões ou propinas. Segundo a PF, o diálogo traz “menção direta aos nomes dos beneficiários”: 10% para uma pessoa citada pelo primeiro nome, 15% para “Allyson”.

Um ponto precisa ficar claro, e é o próprio documento que faz questão de registrá-lo. Allyson não é interlocutor dessas conversas. Ele é citado por terceiros.

A PF também não crava a identificação. Qualifica. Escreve que “é muito provável” que o nome mencionado corresponda ao então prefeito de Mossoró. Em outro trecho, fala em “indícios de que esse percentual de 15% seria destinado” a ele.

A conta aparece na transcrição literal reproduzida na página seguinte:

Só que dos cento e trinta nós temos que pagar cem mil (R$ 100.000,00) a ALLYSON e a FÁTIMA, que é dez por cento (10%) de FÁTIMA e quinze por cento (15%) de ALLYSSON. Só ficou trinta mil (R$ 30.000,00) pra a empresa!

Diálogo captado na sede da Dismed, transcrito pela Polícia Federal

O blog publicou o núcleo desse cálculo em janeiro, na reportagem sobre a “matemática de Mossoró”. O que muda agora não é o dado. É a função dele. Esse material deixou de ser apenas prova de um esquema. Virou o fundamento jurídico pelo qual o Ministério Público sustenta que o caso não pode sair do tribunal.

O cargo que o parecer usa

O parecer se refere a Allyson como “Prefeito de Mossoró/RN”. Ele não está mais no cargo.

O texto antecipa a objeção. Sustenta que os elementos “não se referem a fatos estranhos às funções exercidas pelos agentes públicos”. Estariam ligados a “contratações administrativas, fornecimento de medicamentos, emissão de ordens de compra e pagamentos realizados pelos Municípios durante os respectivos mandatos”.

Em seguida invoca a tese fixada pelo Supremo Tribunal Federal no HC 232.627, julgado em março de 2025:

A prerrogativa de foro para julgamento de crimes praticados no cargo e em razão das funções subsiste mesmo após o afastamento do cargo, ainda que o inquérito ou a ação penal sejam iniciados depois de cessado seu exercício.

Supremo Tribunal Federal, HC 232.627, citado no parecer

Traduzindo: para o Ministério Público, sair da prefeitura não devolve o caso à primeira instância. A competência do tribunal, diz o parecer, “não se sujeita a oscilações supervenientes”.

O que o parecer diz sobre o prefeito de Paraú

Sobre João Evaristo Peixoto, o parecer é curto. Registra que a autoridade policial anotou um encontro na sede da Dismed, no qual “foram tratadas questões relacionadas a ordens de compra, valores, percentuais e fornecimentos ao Município de Paraú/RN”. O encontro está datado nos autos: a tarde de 8 de maio de 2025, dois dias depois de o equipamento de captação entrar no escritório.

É esse mesmo prefeito que o Ministério Público quer livre da tornozeleira. No relatório da Secretaria de Administração Penitenciária que instruiu o pedido, ele não teve nenhum registro de descumprimento.

A escuta que a defesa queria derrubar

O parecer rejeita, um a um, os argumentos de nulidade.

A defesa chamou a captação ambiental de pescaria probatória. O Ministério Público responde que ela não foi a primeira providência. Quando a escuta foi autorizada, os autos já tinham o Relatório de Inteligência Financeira nº 94545, análises bancárias, relatórios de vigilância e dados telemáticos.

Depois vem o detalhe que a petição não menciona: a medida teve objeto delimitado. Equipamento instalado em 6 de maio de 2025, na sala da diretoria. Gravações restritas a dias úteis e horário de expediente. Arquivos verificados por hash SHA-256.

Resta o ponto mais concreto da petição — a entrada disfarçada de um agente sob pretexto de manutenção. Contra ele, o parecer aponta o parágrafo 2º do artigo 8º-A da Lei 9.296/1996. O dispositivo admite instalar o equipamento “por meio de operação policial disfarçada” quando isso for necessário à efetividade da medida. E cada ofício às provedoras de internet, lembra o texto, passou por decisão judicial.

O último pedido da defesa era processar a petição para fins de prequestionamento. Some em duas linhas: prequestionamento é requisito de acesso a recurso especial e extraordinário, “e não configura pedido autônomo a ser processado no âmbito de inquérito policial”.

Mais 90 dias

No mesmo documento, o Ministério Público concorda com a prorrogação do inquérito por mais 90 dias. O motivo é o volume de trabalho pendente: falta a perícia das licitações indicadas pela autoridade policial e a análise de todos os dispositivos eletrônicos apreendidos.

Uma dessas frentes começou em 5 de agosto e tem regra própria. É a análise dos equipamentos apreendidos com advogados, acompanhada por representante indicado pela Comissão de Defesa das Prerrogativas da OAB de Mossoró.

Estão sob apuração desvio de recursos públicos, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, em contratos das empresas Dismed, Drogaria Mais Saúde e Mais Saúde Drogaria com seis prefeituras: Tibau, Serra do Mel, Mossoró, Paraú, São Miguel e José da Penha. O caso completo está reunido no acompanhamento da Operação Mederi.

O espaço está aberto para manifestação.

Fonte: Blog do Dina

 

 
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