Olho D'água do Borges/RN -

11 meses de consignados bloqueados e mais de R$ 1 bilhão de saldo do Estado; conta não fecha

 

O governo Fátima Bezerra fechou o primeiro quadrimestre de 2026 com um superávit superior a R$ 1 bilhão. Os dados são oficiais, retirados do Portal da Transparência: a arrecadação líquida entre janeiro e abril chegou a R$ 8,1 bilhões, enquanto as despesas totais ficaram casa de R$ 7,1 bilhões.

Sobra dinheiro (e muito). A pergunta que o SINSP faz, em nome de cada servidor e servidora deste estado, é uma só: por que, então, o tratamento dado a quem está na base da pirâmide é tão mesquinho?

Enquanto os cofres estaduais exibem fôlego de sobra, os empréstimos consignados seguem bloqueados há quase 11 meses. Desde julho de 2025, conforme relato de correspondentes bancários, servidores e servidoras estão impedidos de acessar essa linha de crédito.

SINSP.

 

Vitória dos Professores: Justiça confirma legalidade do Piso e dos reajustes dos professores do RN

 

O Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN) reconheceu a constitucionalidade dos reajustes salariais concedidos aos(as) professores(as) da Rede Estadual nos anos de 2023, 2024 e 2025. A decisão representa uma vitória para os trabalhadores e trabalhadoras em Educação e reforça a legalidade da aplicação do Piso Salarial Nacional do Magistério na carreira docente.

Com o julgamento, foi rejeitada a ação movida pelo Ministério Público do RN (MPRN), que questionava as leis estaduais relacionadas ao Piso do Magistério. Na prática, a decisão valida os reajustes conquistados pela categoria e garante segurança jurídica aos direitos assegurados aos professores.

Outro efeito direto da decisão é a retomada dos processos que reivindicam o pagamento dos retroativos do piso salarial, que estavam suspensos em razão da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI).

Para o Sinte-RN, o resultado do julgamento representa uma conquista construída pela mobilização da categoria e pela atuação política e jurídica do Sindicato em defesa da valorização profissional e do cumprimento da legislação nacional do piso.

A decisão também confirma a estratégia adotada pelo Sindicato em agosto de 2024, quando a categoria aprovou a contratação de uma assessoria jurídica especializada em direito constitucional para atuar no processo em parceria com a assessoria jurídica do Sindicato. O escritório escolhido foi vinculado ao ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto, reconhecido pela atuação em tribunais superiores e em matérias constitucionais.

Em publicação nas redes sociais, a assessoria jurídica do Sindicato (GMCG Advogados Associados), afirmou que a decisão do TJRN representa “uma vitória do direito, da justiça e do reconhecimento do trabalho docente”.

Com o entendimento firmado pelo Tribunal, o Sindicato avalia que a decisão fortalece a luta histórica da categoria pela implementação integral do Piso do Magistério e pela garantia dos direitos salariais dos profissionais da Educação pública do RN.

 

Allyson, Álvaro e Cadu: três perfis diferentes na disputa por um só objetivo — governar o RN

 

Allyson Bezerra se apresenta como o nome da renovação política: jovem, com discurso voltado para inovação e novos projetos, buscando consolidar uma imagem de mudança no cenário estadual. Ao mesmo tempo, mantém alianças com grupos políticos tradicionais, como as famílias Maia, Alves e Farias, além de conviver com desgastes provocados pela Operação Mederi, da Polícia Federal, e investigações conduzidas pelo Ministério Público do RN sobre sua gestão em Mossoró..

Álvaro Dias aposta na experiência administrativa e política construída ao longo de quatro mandatos como deputado estadual, um de deputado federal e prefeito de Natal. Reeleito em primeiro turno na capital, também destaca como trunfo político a eleição de seu sucessor, que iniciou a campanha com com apenas 3% nas pesquisas e conseguiu reverter o cenário eleitoral.

Cadu Xavier surge como representante da continuidade da atual gestão estadual, defendendo a manutenção e ampliação das ações do governo. Sua principal missão será enfrentar o desgaste administrativo provocado pelos altos índices de rejeição da gestão, impulsionados pelas críticas ao baixo desempenho nas áreas de educação, saúde, segurança pública, infraestrutura e pelo déficit fiscal enfrentado pelo Estado.

Mais do que uma simples disputa eleitoral, a corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte expõe diferentes projetos de poder, alianças tradicionais e estratégias de sobrevivência política. Entre o discurso da renovação, a aposta na experiência e a defesa da continuidade administrativa, os três pré-candidatos tentam convencer um eleitorado cada vez mais desconfiado da classe política e cansado de promessas que, historicamente, pouco mudaram a realidade do Estado.

 

 

Pela primeira vez em decadas, PT corre o risco real de sair sem nenhum governador no nordeste - BA, CE, RN e PI em 2026.

 

Pela primeira vez em décadas, o PT entra em um ciclo eleitoral no Nordeste cercado de incertezas e vendo crescer o risco de perder os quatro governos estaduais que hoje controla na região: Bahia (BA), Ceará (CE), Piauí (PI) e Rio Grande do Norte (RN). O cenário para 2026 ainda está em construção, mas pesquisas recentes e movimentações políticas já acenderam o alerta dentro do partido.

Na Bahia, berço histórico do domínio petista no Nordeste, a oposição vem crescendo e tornando a disputa mais competitiva. Após anos de hegemonia do PT no estado, aliados do ex-prefeito ACM Neto tentam recuperar espaço e aparecem fortalecidos nas primeiras sondagens eleitorais.

No Ceará, o desgaste político após os conflitos entre grupos aliados e o avanço do bloco ligado aos Ferreira Gomes criaram um ambiente mais imprevisível. A oposição busca explorar divisões internas e tentar quebrar a "força histórica" do PT e de seus aliados no estado.

Já no Rio Grande do Norte, a sucessão da governadora Fátima Bezerra é vista como um dos maiores desafios do partido. O nome governista para 2026, Cadu Xavier, ainda trabalha para ampliar conhecimento popular, enquanto lideranças da oposição aparecem competitivas nas primeiras pesquisas divulgadas.

No Piauí, apesar de o governador Rafael Fonteles ainda manter boa avaliação, adversários tentam nacionalizar o debate e construir um palanque mais forte contra o PT, aproveitando o crescimento da direita no estado.

Diante desse cenário, o PT segue tendo dificuldade eleitoral no Nordeste, principalmente pelos escândalos envolvendo políticos da sigla. Lideranças petistas reconhecem nos bastidores que 2026 poderá ser a eleição mais difícil para o partido no Nordeste desde o início da ascensão petista nos governos estaduais.

Pesquisa aponta 40% de avaliação ruim/péssima do governo Lula e empate técnico com Flávio no 2º turno

 

Um levantamento feito pelo Instituto Nexus/BTG, divulgado nesta segunda-feira (25), mostra que 40% dos eleitores brasileiros avaliam o governo do presidente Lula (PT) de forma ruim ou péssima.

Em contrapartida, 37% consideram bom ou ótimo; 22%, regular; e 1% não sabem ou não responderam.

Avaliação do governo Lula

  • Ruim/Péssimo: 40%
  • Regular: 22%
  • Bom/Ótimo: 37%
  • Não sabem/não responderam: 1%

A avaliação ruim do petista teve uma queda de três pontos percentuais em relação ao último levantamento, realizado em abril.

Levantamento BTG Pactual/Nexus FSB, divulgado nesta segunda-feira (25), também aponta empate técnico entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) em eventual segundo turno das eleições presidenciais deste ano.

Segundo a pesquisa, o petista tem 47% contra 43% do principal candidato de oposição. Com a margem de erro de 2 pontos (para cima e para baixo), configura-se o empate técnico.

Outros 9% de entrevistados escolhem nenhum dos dois candidatos, ou preferem votar em branco ou nulo; e 1% não soube responder

A pesquisa Nexus/BTG ouviu 2.045 eleitores, por telefone, entre os dias entre os dias 22 e 24 de maio. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para cima ou para baixo, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o número BR-04193/2026.

 Diário do Poder 

Governo vê chance de 6×1 emperrar no Senado

 

A semana começou, no governo, com a certeza de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), vai pisar no freio da tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pode acabar com a jornada de trabalho de 44 horas semanais, a escala 6 por 1. Com as festas de São João que esvaziam o Congresso, recesso de meio de ano e as eleições, a aposta é que o senador só coloque o item para votação após o período eleitoral, ou seja, com sorte, novembro ou dezembro.

Nem convidou 

Lula parece ter esquecido que o Congresso é bicameral e ignorou a existência de Alcolumbre na reunião de ontem (25), no Planalto.

Fogo baixo 

Alcolumbre não deve atuar ativamente contra a PEC, mas o texto deve seguir o fluxo normal. Sem pressa, por exemplo, para escolher relator.

Falta consenso 

Outro ponto é que o texto deve sofrer alterações no Senado. O prazo de transição para alteração é ponto de divergência entre parlamentares.

Cabeça de bacalhau 

Na Câmara, Hugo Motta (Rep-PB) acelerou o projeto e até marcou sessões deliberativas às sextas-feiras, coisa raríssima na Casa.

Claudio Humberto

 

Semana de Pesquisas: Quatro pesquisas movimentarão os bastidores da politica Potiguar esta semana.

O cenário político do Rio Grande do Norte promete esquentar nos próximos dias. Só nesta semana, quatro pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) serão divulgadas no estado, movimentando os bastidores da sucessão de 2026.

Os levantamentos irão medir os cenários para Governo do Estado, Senado, Deputado Federal e Deputado Estadual, ampliando a expectativa entre partidos, lideranças e pré-candidatos.

A primeira pesquisa a ser divulgada será a da Atlasintel, registrada sob o número RN-02267/2026. Contratada pela Rádio Cidade do Sol, a pesquisa ouviu mil entrevistados e teve custo declarado de R$ 60 mil. A divulgação está prevista para o dia 28 de maio.

Já no dia 29 de maio, outras três pesquisas entram em cena.

A TV Ponta Negra contratou o instituto Item Pesquisas Técnicas, responsável pela pesquisa RN-08595/2026, com 1.250 entrevistas e custo de R$ 15 mil.

Também será divulgada a pesquisa do Instituto Potiguar de Pesquisas Estatísticas (INSPPE), registrada sob o número RN-06172/2026, contratada pela Vírgula Comunicação. O levantamento ouviu 1.500 entrevistados e teve custo declarado de R$ 15 mil.

Fechando a rodada, a Potengi Comunicação contratou o instituto Média Inteligência em Pesquisa para realização da pesquisa RN-06422/2026, que ouviu 2 mil entrevistados ao custo de R$ 20 mil.

Nos bastidores, a expectativa é grande sobre os números que devem balizar as primeiras análises mais amplas da corrida eleitoral no Rio Grande do Norte para 2026.

Fonte: Tacio Cavalcante. 

Operação Mederi: entenda o caso, o esquema de propinas e os investigados

 

A Operação Mederi é a maior investigação de corrupção em curso no Rio Grande do Norte, e o Blog do Dina acompanha o caso desde a primeira hora. Deflagrada pela Polícia Federal em 27 de janeiro de 2026, ela apura um suposto esquema de desvio de dinheiro da saúde pública que teria como pivô uma distribuidora de medicamentos — a Dismed — e como figura central o então prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra.

Em mais de 30 reportagens, o Blog do Dina leu as escutas, as decisões judiciais e os relatórios que sustentam a investigação. Esta página reúne tudo num só lugar: o que a PF apura, como o esquema funcionava, quem são os investigados — e o link para cada matéria da série.

A apuração trata de cinco frentes criminais: fraude em licitações, corrupção passiva, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa. Allyson Bezerra é descrito nos autos como “chefe da estrutura criminosa”. É preciso dizer com clareza: ninguém foi condenado. A investigação segue em andamento, todos os citados são suspeitos, e as defesas — que negam as irregularidades — aparecem ao longo desta página.

Há um motivo para tudo girar em torno de Mossoró: a cidade é o epicentro do esquema. Os contratos de Mossoró respondem por 59% do faturamento que a Dismed tinha com as seis prefeituras investigadas — e foi de Mossoró que partia o volume que sustentava a operação nas demais cidades. “Agora na Dismed hoje, se não tivesse Mossoró, nós não tinha volume”, disse um dos operadores numa escuta. É por isso que Allyson Bezerra, então prefeito de Mossoró, é a figura central da investigação: a PF descreve sua anuência como “essencial para a manutenção” do sistema de fraudes.

Resumo rápido do caso

  • O que é: investigação da Polícia Federal, com apoio da Controladoria-Geral da União e acompanhamento do Ministério Público Federal, sobre desvio de recursos da saúde no RN.
  • Quem investiga: a PF; a operação foi autorizada pelo desembargador federal Rogério Fialho Moreira, do TRF-5.
  • Quem é o alvo central: Allyson Bezerra, então prefeito de Mossoró, apontado como chefe do esquema.
  • O pivô: a distribuidora de medicamentos Dismed.
  • Quando começou: inquérito aberto em 24 de novembro de 2023; fase ostensiva em 27 de janeiro de 2026, com 35 mandados em cinco cidades — Mossoró, Serra do Mel, Paraú, São Miguel e José da Penha, todas com contratos com a Dismed e prefeitos ou auxiliares investigados.
  • Em que pé está: investigação em andamento, sem denúncia recebida nem condenação; sigilo parcialmente levantado.

O que a Polícia Federal apura

No centro do caso está a Dismed — Distribuidora de Medicamentos Ltda., sediada em Mossoró. A PF apura que a empresa, dos sócios Oseas Monthalggan Fernandes Costa e Maycon Lucas Zacarias Soares, era o canal de um esquema: a Prefeitura emitia ordens de compra de remédios, a Dismed entregava parte dos produtos — ou produtos vencidos — e a diferença voltava em dinheiro, como propina.

Os números chamam atenção. A empresa saiu de um prejuízo de R$ 464,93 em 2023 para um lucro líquido de mais de R$ 2 milhões em 2024. Só nos contratos de Mossoró, a PF estima que o esquema rendeu R$ 833 mil em propinas. A Dismed firmou contratos com pelo menos 14 prefeituras do Rio Grande do Norte.

A investigação aponta Allyson como chefe de uma estrutura de três níveis: no topo, prefeito e vice; no meio, secretários e diretores financeiros; na ponta, fiscais que atestariam falsamente a entrega dos remédios. Sua anuência, diz a PF, seria “essencial para a manutenção” do sistema. Parte do dinheiro, segundo a apuração, seria guardada para financiar campanhas eleitorais — inclusive a pretensão de Allyson de disputar o Governo do RN.

A “Matemática de Mossoró”

A frase que batiza o esquema saiu das próprias escutas. Para cada contrato, os sócios da Dismed calculavam quanto sobrava depois da propina. Um empresário resumiu numa frase que virou síntese do caso: “ele comeu 60, 15% de Allyson”.

A PF captou a fórmula em áudio. Metade do contrato virava mercadoria a preço de custo; sobre a outra metade, 25% iam para propina, repartidos entre dois beneficiários. “Quinze do homem e dez disso aí, vezes vinte e cinco por cento”, explicou Oseas numa conversa interceptada. Os 15% seriam destinados a Allyson; os 10%, a uma mulher que aparece nas escutas apenas como “Fátima”.

Quem é “Fátima”? A PF não confirmou. Os documentos falam em “muito provável” e traçam o perfil de uma empresária do ramo de eventos — mas a identidade segue como suspeita não confirmada, e o Blog do Dina não a trata como pessoa identificada.

Isopor, conta de menor e holding: o caminho do dinheiro

A investigação descreve técnicas que vão do sofisticado ao rudimentar para esconder o dinheiro. Havia espécie guardada em caixas de isopor — “pegar 10 (mil) aqui que eu tenho no isopor”, diz uma mensagem entre os sócios. Havia depósitos numa conta de menor de idade e uma holding, a MS Empreendimentos, criada para abrigar quotas e blindar patrimônio. Para escapar do controle do Coaf, os saques eram fracionados: 22 retiradas de R$ 49 mil, somando R$ 1,07 milhão.

As buscas mostraram o dinheiro de perto. No apartamento de Allyson em Natal, a PF apreendeu uma planilha que controlava R$ 19,6 milhões. Na casa do secretário de Saúde Almir Mariano, R$ 57,5 mil em maços espalhados por mochilas e gavetas.

E há o lado humano do prejuízo. Em Serra do Mel, a PF encontrou remédios com um único dia de validade — mil comprimidos para hipertensão — e estima um prejuízo de R$ 4 milhões no município.

O pulmão que enchia de ar: como o esquema se espalhou

Mossoró era o coração, mas não o limite. A Dismed levou o modelo a outras cidades — São Miguel, José da Penha, Serra do Mel, Apodi, Pau dos Ferros. A técnica para evitar novas licitações era a “carona”: municípios aderiam a atas de registro de preços de outras prefeituras. “Toda carona você tem o seu”, registra uma escuta sobre a propina cobrada a cada adesão.

Um ex-sócio da Dismed resumiu a dependência numa imagem: “o pulmão enchia de ar” — era o volume de Mossoró que sustentava a operação nas demais cidades. Em São Miguel, a PF descreve um esquema para “recompor” o salário do prefeito Leandro Michel do Rego Lima, médico que ganhava cerca de R$ 100 mil por mês antes do cargo.

A guerra do sigilo

Uma disputa atravessa toda a série: quem realmente pediu o fim do sigilo do inquérito. A defesa de Allyson protocolou, em fevereiro, um pedido de levantamento do sigilo “em nome da transparência”. Mas a decisão do desembargador já determinava esse levantamento desde 22 de janeiro — antes do pedido. Quando a defesa negou que houvesse tal determinação, o Blog do Dina publicou o trecho da decisão que comprovava o contrário.

Em maio, o movimento se inverteu. Os irmãos Leandro e Lincoln Lima, de São Miguel, entraram com habeas corpus no STJ pedindo o oposto: lacrar o material apreendido, barrar a perícia e impor segredo de justiça. A defesa, pelo advogado Marcos Aurélio Santiago Braga, sustenta que faltaram “fundadas razões” e fala em “pescaria probatória”. O ministro relator Joel Ilan Paciornik negou a urgência e negou o segredo de justiça. Procurado, o gabinete do desembargador Rogério Fialho Moreira não comentou as decisões fora dos autos.

O que já mudou: as consequências

  • Na Justiça: a decisão de 30 de março bloqueou bens e valores em mais de R$ 13,3 milhões e manteve tornozeleiras e fianças para os investigados.
  • Na administração: a Dismed e a Drogaria Mais Saúde foram desclassificadas de licitação em Mossoró. O faturamento da empresa despencou 87% entre janeiro e fevereiro de 2026.
  • Na política: o TCE-RN recomendou a reprovação das contas de 2021 de Allyson, o que pode torná-lo inelegível. Allyson renunciou à Prefeitura; o vice, Marcos Medeiros — também investigado —, assumiu em 27 de março de 2026.

  • A linha do tempo da Operação Mederi
  • 24/11/2023 — A PF abre o inquérito da Operação Mederi.
  • 22/01/2026 — O desembargador Rogério Fialho Moreira determina o fim do sigilo após o cumprimento das medidas.
  • 27/01/2026 — Fase ostensiva: 35 mandados de busca e apreensão em cinco cidades.
  • 03/02/2026 — Dismed e Drogaria Mais Saúde são desclassificadas de licitação em Mossoró.
  • 23/02/2026 — O Blog do Dina publica “Quem é Fátima?”.
  • 26/02/2026 — O TCE-RN recomenda a reprovação das contas de 2021 de Allyson.
  • 03/03/2026 — A PF estima R$ 833 mil em propinas só em Mossoró.
  • 27/03/2026 — Marcos Medeiros assume a Prefeitura de Mossoró após a renúncia de Allyson.
  • 30/03/2026 — O desembargador julga os pedidos das defesas; bloqueio de R$ 13,3 milhões.
  • 19/04/2026 — Reportagem revela a planilha de R$ 19,6 milhões apreendida com Allyson.
  • 22/05/2026 — Os irmãos Lima entram com habeas corpus no STJ pedindo para lacrar o material da operação.

Quem é quem na Operação Mederi

O caso tem dezenas de pessoas e empresas no radar da Polícia Federal. Esta seção organiza os principais investigados nos três núcleos descritos pela PF: a Prefeitura de Mossoró, a empresa que operava o esquema (Dismed) e os agentes públicos de outras cidades onde a fraude teria se espalhado. Nenhum é condenado.

Núcleo da Prefeitura de Mossoró

Allyson Leandro Bezerra Silva (Allyson Bezerra) — ex-prefeito (União Brasil), apontado pela PF como chefe da estrutura criminosa e suposto beneficiário de 15% das propinas. Recusou-se a entregar senhas de celulares à PF e omitiu itens apreendidos ao relatar a operação nas redes. Pré-candidato ao Governo do RN; renunciou ao cargo. Defende-se dizendo que a investigação se baseia em “diálogos de terceiros” sem fato que o vincule diretamente.

Marcos Antônio Bezerra de Medeiros (Marcos Medeiros, “Marco”) — vice de Allyson; assumiu a Prefeitura em 27 de março de 2026. A PF o descreve como “ponto de contato” entre a Dismed e a Prefeitura e como “provavelmente o atual vice-prefeito… destinatário de valores a título de propina”. A defesa nega irregularidades.

Almir Mariano — ex-secretário de Saúde de Mossoró (fev-ago/2025). Teve R$ 57,5 mil em maços de dinheiro apreendidos em casa. A PF o trata como “gerente administrativo que validava formalmente os contratos e pagamentos fraudulentos”.

Poliana Rezende Dantas — diretora financeira da Secretaria de Saúde, nomeada por portaria de Allyson em janeiro de 2025. Trocava mensagens com um dos sócios da Dismed 23 dias antes da nomeação. O juízo aponta “impossibilidade de execução do esquema sem sua participação ou omissão deliberada”.

Núcleo empresarial — Dismed e Drogaria Mais Saúde

Oseas Monthalggan Fernandes Costa — sócio-administrador da Dismed (50%), descrito pela PF como principal operador do esquema. Autor das frases-chave nas escutas sobre a divisão das propinas.

Maycon Lucas Zacarias Soares — sócio da Dismed (50%), cunhado de Oseas. Transferiu suas quotas para a holding MS Empreendimentos. A PF encontrou em sua casa uma pistola Taurus .380 e 22 munições — foi conduzido por posse irregular de arma.

José Moabe Zacarias Soares (Moabe) — sócio da Dismed, também vice-prefeito de Serra do Mel. Aparece nas escutas discutindo pagamentos de propina.

Raimundo Wandecy Campelo Gurgel (“Nenén”) — ex-sócio e funcionário da Dismed. Autor da metáfora “o pulmão enchia de ar” sobre a dependência de Mossoró.

Roberta Ferreira Praxedes Costa — esposa de Oseas e sócia da Drogaria Mais Saúde; investigada.

Rayca Mariana Praxedes Fernandes — filha de Oseas. Sua conta bancária foi usada para movimentar valores que a PF aponta como lavagem.

Vitória Cibele Pinheiro Bezerra Soares — esposa de Maycon, ex-sócia da Dismed. A PF diz que ela “atuava no armazenamento e repasse de numerário”.

Sidney Carlos de Melo — representante comercial intermediário da Dismed.

Núcleo de agentes públicos em outras cidades

Leandro Michel do Rego Lima — prefeito de São Miguel desde 2025, médico. A PF descreve um esquema para “recompor” o salário que ele tinha como médico (cerca de R$ 100 mil por mês). Impetrou habeas corpus no STJ junto com o irmão pedindo para lacrar o material da operação.

Lincoln Micaele Rêgo Lima — irmão de Leandro. A PF o trata como “principal articulador” do direcionamento de licitações em São Miguel e do pagamento de propina. A defesa contesta o cargo de chefe de gabinete que a PF lhe atribui, alegando que ele “não possui qualquer vínculo com a municipalidade”.

Ana Jarvis de Souza Mafaldo Gomes (“A Chefona”) — chefe de gabinete da Prefeitura de José da Penha e irmã do prefeito. Apontada como quem assumiu o controle da propina e afastou o pregoeiro.

Fabiano Ferreira Alves — pregoeiro de José da Penha, afastado pela Chefona mas que, segundo as escutas, seguia cobrando sua parte.

João Evaristo Peixoto — prefeito de Paraú; investigado, teve fiança reduzida de R$ 100 mil para R$ 30 mil pelo desembargador.

Outras gestões onde a PF aponta que o esquema “se espalhou”

A matéria sobre a “Infecção” da série descreve a chegada do esquema a outras prefeituras, mas estes nomes aparecem como gestões onde o sistema teria se reproduzido — e não, até aqui, como investigados formais individualmente:

Marianna Almeida — prefeita de Pau dos Ferros, que declarou apoio público a Allyson. Luis Sabino da Costa Neto (Sabino Neto) — prefeito de Apodi (MDB), idem. Alan Jefferson da Silveira Pinto — ex-prefeito de Apodi (2021-2024), signatário dos primeiros contratos da Dismed no município. Os três negam irregularidades.

“Fátima” — a suspeita não identificada

Mulher citada nas escutas como beneficiária de 10% das propinas. A PF NÃO confirmou a identidade — usa qualificadores como “muito provável” e “provavelmente seja”. O Blog do Dina optou por não citar nome, “por entender que os documentos não concluem ainda efetivamente de quem se trata”.

Justiça e órgãos de controle

Rogério Fialho Moreira — desembargador federal do TRF-5 (Recife); autorizou a operação e julga os pedidos das defesas. Procurado em maio, seu gabinete respondeu que “não tece comentários sobre decisões proferidas pelo próprio desembargador federal ou por outros magistrados”.

Joel Ilan Paciornik — ministro do STJ, relator do habeas corpus dos irmãos Lima; negou o pedido de urgência e o segredo de justiça (março/2026).

Blog do Dina

 

Segunda-feira (25) chuvosa em regiões do Nordeste

 

A previsão do tempo para esta segunda-feira (25), de acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), indica avanço de chuvas em toda a faixa litorânea da Região Nordeste.

A condição de instabilidade deve manter o céu mais encoberto e favorecer pancadas de chuva ao longo do dia em áreas próximas ao litoral. Já no interior da região, o tempo segue mais quente, com períodos de sol entre nuvens.

Entre as capitais, a temperatura mínima prevista é de 23°C em Maceió. Já a máxima pode alcançar os 35°C em Teresina.

A umidade relativa do ar varia entre 40% e 95%, com os índices mais baixos concentrados no interior da região.

As observações meteorológicas do INMET são essenciais para previsões em tempo real, estatísticas climáticas e cooperação internacional. Esses dados precisos ajudam a estudar o clima passado e a produzir Normais Climatológicas conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). 

Deputado Benes Leocádio recebe o apoio de oito prefeito da Região Central

 

O deputado federal Benes Leocádio recebe o apoio de oito prefeitos da região Central Cabugi, no Rio Grande do Norte, para sua candidatura à reeleição em 2026. A articulação reforça a base do parlamentar no interior do estado.

Confira os gestores que declararam apoio:

• Caiçara do Rio do Vento – Prefeita Ceiça Lisboa
• Angicos – Prefeito Pinheiro Neto
• Jardim de Angicos – Prefeito Carlinhos Bezerra
• Pedra Preta – Prefeito Luiz de Haroldo
• Afonso Bezerra – Prefeito Haroldo de Jango
• Pedro Avelino – Prefeita Marina Trindade
• Fernando Pedroza – Prefeito João de Chota
• Santana do Matos – Prefeito Cleyton de Oton

A região é estratégica no interior do RN e fortalece a base de para a disputa proporcional. Benes Leocádio busca seu terceiro mandato na Câmara Federal. Em 2022, o deputado foi reeleito com 125.565 votos no RN.

 
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