Sem resposta ao pedido administrativo encaminhado ao
Ministério da Fazenda, o Governo do Rio Grande do Norte acionou a
Procuradoria-Geral do Estado (PGE) para adotar medidas judiciais urgentes que
impeçam o bloqueio de recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) em
razão do pagamento, pela União, de uma parcela de US$ 14,54 milhões (R$ 80
milhões) do empréstimo contratado junto ao Banco Internacional para
Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), instituição do Banco Mundial
No Ofício nº 357/2026, enviado à PGE na quarta-feira (8),
a Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz) solicita que seja avaliada a adoção de
ação judicial, inclusive perante o Supremo Tribunal Federal (STF), para impedir
a execução imediata da contragarantia, assegurando que eventual retenção ocorra
apenas em outubro. O pedido foi feito porque, segundo a pasta, o Ministério da
Fazenda ainda não respondeu ao pleito administrativo encaminhado anteriormente.
No documento, a Sefaz sustenta que o bloqueio imediato poderá
provocar “grave desorganização” do fluxo financeiro do Estado, comprometendo o
pagamento tempestivo de despesas obrigatórias e a continuidade de serviços
públicos essenciais. “Uma vez que você tem um fluxo de caixa apertado e um
montante desse interfere nesse fluxo, alguma coisa vai ser afetada. É
justamente por isso que esperamos conseguir essa postergação”, explicou o
secretário estadual da Fazenda, Álvaro Bezerra.
A justificativa é que julho, agosto e setembro concentram
historicamente os menores repasses do FPE, agravados neste ano pela frustração
de arrecadação registrada no primeiro quadrimestre e pelo contingenciamento de
quase R$ 500 milhões no orçamento estadual. “O FPE não está crescendo dentro da
expectativa que imaginávamos. Esse também tem sido um agravante que leva a essa
situação”, diz Bezerra.
Segundo ele, o período de menor arrecadação do FPE torna
inviável a execução da contragarantia sem impactos sobre a programação
financeira do Estado. “Julho, agosto e setembro são meses de FPE muito baixo.
Levando em consideração as prioridades com as políticas públicas e o pagamento
do salário do servidor em dia, entendemos que postergar o pagamento dentro do
próprio exercício é algo perfeitamente razoável”, disse.
O argumento coincide com o exposto pela Sefaz no ofício encaminhado
à PGE. O documento informa que a Receita Líquida do Tesouro ficou R$ 497,4
milhões abaixo da meta prevista para o primeiro quadrimestre de 2026, situação
atribuída principalmente à redução do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)
após a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, além da redução
temporária da base de cálculo do FPE.
O secretário classificou a medida como um ajuste temporário
de caixa e negou que o Estado esteja buscando deixar de pagar a dívida. “A
gente não pede para não pagar. A gente só pede para pagar daqui a dois ou três
meses. É um mero ajuste de fluxo de caixa para colocar esse pagamento num
momento em que o fluxo permita”, afirmou.
Ele reforçou que o governo espera contar com maior ingresso
de recursos do Fundo e receitas extraordinárias, como compensações
previdenciárias, créditos do Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS)
e recuperação de carteiras de crédito auditadas. Na avaliação dele, a situação
fiscal do Estado permanece sob controle, apesar das restrições de liquidez. “Eu
diria que é uma situação administrável. Enfrentamos dificuldades em
determinados meses por causa do fluxo de caixa, mas os serviços públicos
continuam sendo oferecidos e o servidor continua recebendo salário em dia.”