O Tribunal de Contas do Rio Grande do Norte (TCE-RN)
determinou uma inspeção na folha de pagamento da Secretaria Estadual de
Educação para apurar possíveis irregularidades na contabilização de despesas
decorrentes de decisões judiciais. A medida foi aprovada pelo Pleno após
representação do Ministério Público de Contas.
A investigação vai verificar
se vantagens salariais concedidas por determinação judicial estão sendo
contabilizadas corretamente nos gastos com pessoal do Governo do Estado.
Segundo o Ministério Público de Contas, os valores registrados pela Educação
nessa categoria superam o total declarado pelo próprio Executivo.
A divergência pode indicar
descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e das normas de
contabilidade pública. O órgão aponta que a dedução dessas despesas, quando
mantida além do prazo permitido, pode reduzir artificialmente o percentual de
comprometimento da receita estadual.
No segundo quadrimestre de
2025, o Governo do RN declarou gastos com pessoal equivalentes a 55,73% da
Receita Corrente Líquida. Sem os descontos relacionados às decisões judiciais,
o percentual chegaria a 58,34%.
A análise também identificou
que, somente em julho de 2026, vantagens salariais vinculadas a decisões
judiciais somaram mais de R$ 9,2 milhões na folha da Educação.
Relator do processo, o
conselheiro Antonio Gilberto de Oliveira Jales destacou que o Rio Grande do
Norte permanece acima dos limites legais de despesas com pessoal há vários
anos. Segundo ele, uma classificação inadequada desses pagamentos pode
distorcer a avaliação da situação fiscal do Estado.
A inspeção terá prioridade no
próximo Plano Anual de Controle Externo (Pace) e deverá esclarecer se os
registros estão de acordo com a legislação. Até o momento, não há conclusão
sobre a existência de irregularidades.
Fonte: Agora RN














