O Rio Grande do Norte surge como o caso mais
preocupante entre os estados brasileiros em ano eleitoral. Com forte aumento do
endividamento, caixa negativo e déficit primário nos primeiros meses de 2026, o
estado simboliza um problema que se espalha pelo país: a tendência de governos
ampliarem gastos em busca de dividendos políticos, mesmo às custas do
equilíbrio fiscal.
Segundo projeções da XP Investimentos, os estados devem
encerrar 2026 com déficit de R$ 6 bilhões. Apesar de terem terminado 2025 com
sobra de caixa de R$ 29 bilhões, muitos governadores aceleraram despesas, que
cresceram acima da inflação e em ritmo muito superior ao das receitas.
Enquanto exceções como o Espírito Santo demonstram que é possível
manter responsabilidade fiscal mesmo em ano eleitoral, a maioria dos estados
segue caminho oposto.
No Rio Grande do Norte, a dívida saltou de 27,5% para
41,5% da receita entre 2023 e 2024, acompanhada de deterioração do caixa e das
contas públicas. O cenário reforça os alertas sobre a prática recorrente de
expandir gastos sem planejamento, muitas vezes amparada pela expectativa de
futuras renegociações de dívida com a União.
Esse ciclo aumenta o chamado risco moral e reduz os
incentivos para ajustes fiscais duradouros.
Os três estados mais endividados são Rio de Janeiro, Rio Grande do
Sul (os dois acima do teto máximo de 200%) e Minas Gerais (acima
do limite de alerta de 180%). Dos três, os governos gaúcho e mineiro fecharam
2025 com caixa negativo. O destaque foi Minas, com um rombo de R$ 11 bilhões.
Se nada mudar, o país corre o risco de repetir, nos próximos anos, a combinação de gastança eleitoral e sucessivos programas de socorro financeiro aos estados, adiando mais uma vez o enfrentamento dos desequilíbrios fiscais.
Tribuna do Norte.
0 comentários:
Postar um comentário