As declarações do ex-deputado Kelps Lima (União Brasil),
que apontou os deputados federais Benes Leocádio, João Maia e Robinson Faria
como seus principais adversários na disputa por uma vaga na Câmara Federal em
2026, provocaram reação dentro da própria Federação União Progressista. Em
entrevista ao Diário do RN, Benes Leocádio rebateu a tese de concorrência
interna, negou qualquer tipo de traição ao correligionário e defendeu que o
fortalecimento coletivo da nominata é o caminho para ampliar o número de
eleitos.
Para Benes, a postura adotada por Kelps acabou criando
dificuldades dentro da própria Federação ao direcionar sua estratégia eleitoral
contra os atuais parlamentares do grupo.
“A dificuldade que ele criou é exatamente querendo derrotar
os parceiros que poderiam ajudá-lo”, afirmou.
O deputado também rejeitou a narrativa de que os atuais
detentores de mandato tenham descumprido compromissos com Kelps. Segundo ele,
houve tentativas de construção de apoios, mas a resistência das próprias bases
eleitorais inviabilizou avanços.
“Houve conversas. Ele solicitou que os deputados que já
tinham mandato e que fossem permanecer na nominata abrissem mão de alguns
apoios, mas a resistência de todos os apoiadores consultados foi muito grande”,
explicou.
De acordo com Benes, alguns parlamentares chegaram a
consultar lideranças e bases eleitorais sobre a possibilidade de
redirecionamento de apoios, mas encontraram forte rejeição.
“Houve tentativas de alguns, mas uma resistência
incontornável. Não podemos fazer nada. Teve colega que consultou dezenas e
dezenas de apoiadores, e a resposta era a mesma”, relatou.
Benes rejeitou a tese de que a Federação tenha descumprido
compromissos com Kelps Lima. “De forma nenhuma houve traição. De forma
nenhuma”, declarou.
A principal divergência entre os dois está justamente na
leitura sobre a disputa proporcional. Enquanto Kelps afirmou que um dos atuais
deputados federais da Federação precisaria ficar de fora para que ele
conquistasse uma vaga, Benes sustenta que a lógica eleitoral funciona de forma
diferente.
“Eu não vejo essa questão de concorrência interna, não. Para
mim, quanto mais votos os colegas tiverem, mais chance temos de eleger mais
gente”, afirmou ao Diário do RN.
O parlamentar argumenta que, em eleições proporcionais, o
crescimento da nominata beneficia todos os integrantes da chapa.
“Se a gente entende de eleição proporcional, quanto mais
votos a nominata tiver, mais chance alguém tem de ser eleito. “A Federação
disputa bem duas vagas e mais uma. Há chance real de eleger três deputados
federais”, ressaltou.
Na avaliação do deputado, o foco deveria estar na construção
coletiva da nominata. “Se você quer buscar voto para somar no conjunto, na
nominata, eu tenho que pensar em agregar e não desagregar”, disse.
Mesmo diante das críticas feitas por Kelps, Benes afirmou não
guardar ressentimentos e declarou que continua torcendo pelo sucesso eleitoral
de todos os integrantes da federação.
“Eu desejo muito boa sorte a ele, que tenha muitos votos e
que possa ser um dos eleitos no número que a nominata conquistar”, afirmou.
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