A governadora Fátima Bezerra (PT) vetou integralmente o
Projeto de Lei nº 632/2025, que estabelecia critérios e prazos para o repasse
aos municípios das parcelas do ICMS, IPVA e Fundeb. O veto provocou reação
imediata do autor da proposta, deputado Gustavo Carvalho (PL) e do líder da
oposição, deputado Tomba Farias (PL), que classificaram a medida como “desrespeito
aos municípios e à Assembleia Legislativa” e indicaram haver articulação para
derrubar o veto na Assembleia Legislativa. A Femurn e o prefeito de Mossoró,
Allyson Bezerra (União) também rechaçaram a medida governamental.
A proposta, aprovada por unanimidade pela Assembleia
Legislativa em dezembro passado, previa regras mais rígidas para assegurar
previsibilidade e regularidade nos repasses constitucionais aos municípios.
Segundo o governo, no entanto, a iniciativa ampliaria “significativamente o risco
fiscal do Estado” ao criar créditos automáticos e engessar a administração
financeira.
Autor do projeto, Gustavo Carvalho se disse surpreso e
indignado. “Isso é uma demonstração de que a governadora não respeita os
municípios do Rio Grande do Norte nem a Assembleia Legislativa, que aprovou o
projeto por unanimidade”, relembrou. Para o parlamentar, o veto sinaliza um
“fim de governo triste e caótico”, em referência ao último ano de dois mandatos
consecutivos de Fátima à frente da gestão estadual.
Líder da oposição, Tomba Farias também criticou a decisão
e ressaltou que a própria base governista havia votado a favor da proposta.
“Inclusive, a base dela votou favorável ao projeto. Era importante garantir o
repasse direto porque estava havendo atraso. Vetar foi uma decisão infeliz”,
afirmou. O deputado disse acreditar na derrubada do impedimento publicado pela
governadora. “Nós vamos nos juntar para derrubar o veto. Acredito que
conseguimos isso com muita tranqüilidade, porque não vejo deputado que queira
votar contra os municípios”, declarou. O líder do Governo na Casa, deputado
Francisco do PT, foi procurado, mas não respondeu até o fechamento desta
matéria.
Na mesma linha dos deputados oposicionistas, o presidente
da Federação dos Municípios do Rio Grande do Norte (Femurn), Babá Pereira,
destacou que o projeto foi construído com participação direta da entidade e
tinha como objetivo coibir atrasos recorrentes. “O jurídico da Femurn
participou da elaboração do projeto. Fomos pegos de surpresa com esse veto”,
afirmou.
Segundo ele, os recursos atingidos são dos municípios. “O
que está ocorrendo é atraso nos repasses do ICMS, do IPVA e também do Fundeb,
que deveria ser transferido semanalmente. Estamos há semanas sem receber essa
parcela”, disse.
Babá ressaltou que os atrasos têm impacto direto nos
serviços públicos. “Isso afeta pagamento de contratos, fornecedores, merenda
escolar, transporte escolar e até a folha da educação. Alguns municípios
tiveram que usar recursos de outras fontes para cobrir despesas”, afirmou. Ele
também demonstrou confiança na reversão da decisão. “Vamos trabalhar para
derrubar o veto. Todos os deputados votaram a favor do projeto, não há razão
para manter o veto.”
Tribuna do Norte. Veja mais aqui.
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