O Rio Grande do Norte teve em 2026 o pior mês de maio desde 2020, ano marcado pela pandemia de covid-19, na geração de empregos. Foram 109 postos formais de trabalho criados nesse mês, segundo os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged) divulgados nesta terça-feira (30). O resultado, obtido a partir da diferença entre 19.380 admissões e 19.271 demissões, colocou o RN na segunda pior posição do Nordeste no mês, à frente apenas de Alagoas (-75).
Em maio de 2020, o estado havia registrado o saldo de - 4.496 postos de emprego formal; em 2021, +1.662; em 2022, +3.484; em 2023, +1.715; em 2024, +2.882; e em 2025, +2.159. Com isso, o resultado de maio de 2026 é apenas 5% do registrado no mesmo mês do ano passado.
Na avaliação do economista Arthur Néo, vice-presidente do Conselho Regional de Economia do RN (Corecon), o resultado aponta para uma desaceleração na geração de empregos no estado, mesmo com leve avanço diante de abril, quando o estado perdeu postos formais de emprego. No mês passado, o RN registrou saldo de -156 vagas, pior resultado estadual desde 2021 (-1.044).
“Como a gente já vinha com um saldo negativo do mês passado, houve um certo
crescimento, mas inexpressivo no sentido de algum crescimento econômico. É um
dado bem preocupante, porque mês a mês o estado vem mostrando uma incapacidade
de crescimento econômico de geração de empregos”, diz o economista.
Para Arthur Néo, o resultado de maio poderia ser pior se não fossem os festejos juninos e a Copa do Mundo. Isso porque as datas geram uma demanda temporária no mercado de trabalho, especialmente nos setores de serviços e comércio.
Por setores econômicos, maio de 2026 registrou a criação de vagas no Comércio (146), Serviços (400) e Indústria (38), e perdas na Agropecuária (-244) e na Construção (-229). “O saldo positivo de 109 empregos formais em maio evita um resultado negativo, mas confirma uma desaceleração importante do mercado de trabalho no RN”, diz Roberto Serquiz, presidente da Federação das Indústrias do Estado (Fiern).
Já a Federação da Agricultura, Pecuária e Pesca do RN (Faern) avalia que o mês
registrou menor dinamismo no mercado de trabalho potiguar, “influenciado
principalmente pelos saldos negativos da agropecuária e da construção civil. Ao
mesmo tempo, os setores de serviços e comércio continuaram gerando empregos e
impediram que o saldo estadual fosse negativo”.
Tendência é negativa para os próximos meses
As perspectivas para os próximos meses são negativas, projeta o economista Arthur Néo. “Vamos entrar no mês de julho, que, fora o movimento da Copa, não tem mais nenhum outro evento expressivo para o Rio Grande do Norte”, diz.
“O setor de indústria vai continuar sofrendo, o setor de comércio vai continuar sofrendo, e o próprio setor de agricultura também vai continuar sofrendo. Serão dois meses, julho e agosto, bem duros para o RN”, avalia o economista, observando a dinâmica do mercado de trabalho potiguar.
Ainda segundo ele, apesar de as microempresas sustentarem a geração de
empregos, elas geram postos de menor valor agregado e que pagam menos. Arthur
Néo vê com preocupação a baixa presença da indústria na geração de
oportunidades, uma vez que o setor costuma pagar remunerações de maior valor.
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