A decisão do ministro Alexandre de Moraes de vetar as
visitas do senador e pré-candidato à Presidência pelo PL, Flávio Bolsonaro
(RJ), ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pegou de surpresa membros do STF
(Supremo Tribunal Federal) e se tornou alvo de críticas inclusive de
integrantes da ala da corte que costuma respaldar a atuação do magistrado.
A avaliação de dois ministros ouvidos sob reserva pela
CNN é de que a determinação deve gerar o efeito contrário e reforçar o discurso
de que a família Bolsonaro é vítima de perseguição do Supremo e, com mais
ênfase, de Moraes.
Além do erro estratégico, o entendimento do ministro
também é contestado do ponto de vista jurídico. O ministro proibiu Flávio de
visitar o pai por 90 dias por ter lido uma carta em que Bolsonaro reafirma que
o filho é seu candidato a presidente.
Além do erro estratégico, o entendimento do ministro
também é contestado do ponto de vista jurídico. O ministro proibiu Flávio de
visitar o pai por 90 dias por ter lido uma carta em que Bolsonaro reafirma que
o filho é seu candidato a presidente.
Segundo o magistrado, o desrespeito “à medida cautelar
imposta a Jair Bolsonaro de ‘proibição de utilização de redes sociais,
diretamente ou por intermédio de terceiro’ está totalmente configurado por suas
próprias afirmações”.
No entanto, uma ala da corte afirma que a decisão vai na
contramão do discurso da corte que preza pela liberdade de expressão e que só
limita essa garantia em casos extremos. A leitura é de que, apesar de não se
tratar da mesma situação, é inevitável lembrar das duras críticas contra o
ministro Luiz Fux em 2018, quando derrubou decisão do então colega, Ricardo
Lewandowski, que havia liberado Luiz Inácio Lula da Silva, à época preso, a
conceder uma entrevista.
Citam, ainda, o trecho da Lei de Execução Penal que
autoriza detentos a manterem “contato com o mundo exterior por meio de
correspondência escrita, da leitura e de outros meios de informação que não
comprometam a moral e os bons costumes”.
O questionamento é sobre a determinação de Moraes de
proibir Bolsonaro de usar “diretamente ou por intermédio de terceiro” as redes
sociais. A crítica é que a decisão abre brecha para interpretações e que não
deixa claro os limites para que seja respeitada. A questão é sobre a forma de
divulgação de cartas de Bolsonaro, que não estão proibidas.
“Se Flávio tivesse lido a mensagem em uma coletiva de
imprensa e isso fosse explorado por aliados depois seria permitido?”, argumenta
um integrante da corte sob reserva
CNN
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