O pré-candidato a governador Allyson Bezerra (União
Brasil) quer evitar a presença de Abraão Lincoln em seu palanque. Considera
prejudicial à sua imagem, dada a ficha suja do neoaliado.
De fato, a ficha corrida de Abraão é bem complicada. Ele, que
está no centro do escândalo do desvio bilionário do INSS, já foi preso em outra
ocasião, na Operação Enredados, que desmantelou esquema de concessões para
pesca ilegal.
O problema é que o aliado ficha suja não aceita investir na
campanha de Allyson e ficar de fora na hora do banquete. Foi ele que levou o
Republicanos para Allyson. Além disso, Abraão é apoiador de Cinthia
Pinheiro, esposa de Allyson, para deputada estadual.
Para amigos de Abraão, se a régua de Allyson fosse
honestamente criteriosa, ele não havia se abraçado com outros políticos de
passado duvidoso.
É o caso do ex-deputado Dison Lisboa, que concluiu o mandato
na Assembleia Legislativa, em 2018, usando tornozeleira eletrônica. Ele foi
condenado e preso por crime de improbidade administrativa quando foi prefeito
de Goianinha.
Os amigos de Abraão também citam o deputado federal João
Maia, alvo da Via Ápia, operação que descortinou esquema de desvio de recursos
das obras da BR-110 entre 2008 e 2010. O Ministério Público o acusou de ter
recebido pelo menos R$ 1,2 milhão em propina.
Maia, na época, controlava o Dnit do RN, tendo colocado o
sobrinho Gledson Maia no cargo de chefia. Gledson foi preso no estacionamento
de uma churrascaria de Natal quando recebia um pacote em dinheiro não
contabilizado.
Outro aliado de Allyson, o deputado federal Robinson Faria,
frequentou o noticiário da corrupção quando foi presidente da Assembleia
Legislativa. Ele virou réu na Operação Dama de Espadas, que desmantelou esquema
de funcionários fantasmas.
O Ministério Público apurou que foram desviados – via
fantasmas – R$ 3,7 milhões dos cofres públicos. A ação criminal foi suspensa no
STF pelo ministro Dias Toffoli em 2021.
Pois bem.
Aceitar as bondades de Abraão Lincoln nos bastidores e tentar
escondê-lo do público é uma armação perigosa para Allyson Bezerra. O aliado
pode se rebelar e virar uma dor de cabeça.
Além disso, Allyson não está em condições de apontar o dedo
para o líder do Republicanos. A Operação Mederi, detonada pela Polícia Federal,
o coloca no mesmo patamar do neoaliado.
Jornal de Fato
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