A
primeira proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro,
rejeitada pela Polícia Federal em maio, trouxe uma nova informação sobre a
relação comercial entre empresas ligadas ao empresário e o escritório de
advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do STF Alexandre de
Moraes.
Segundo
o relato, um novo contrato teria sido elaborado em agosto de 2025 prevendo o
pagamento de R$ 50 milhões ao escritório Barci de Moraes. O documento, porém,
não chegou a ser assinado. De acordo com a versão de Vorcaro, a medida buscava
garantir a continuidade dos pagamentos em um contrato anterior firmado com o
Master. O acordo estabelecia repasses mensais de R$ 3,6 milhões entre janeiro
de 2024 e janeiro de 2027, totalizando cerca de R$ 130 milhões.
A
justificativa apresentada à Polícia Federal era de que a venda do banco, já
considerada iminente à época, poderia interromper a execução do contrato. A
delação, no entanto, não esclareceu por que outra empresa ligada a Daniel
Vorcaro assumiria a obrigação nem detalhou a origem do valor de R$ 50 milhões
previsto no novo documento.
Outro
ponto que chamou a atenção foi a ausência de registros da atuação do escritório
junto ao Banco Central, Cade, Receita Federal e Procuradoria-Geral da Fazenda
Nacional, órgãos nos quais o contrato original previa prestação de serviços.
As
entidades informaram não possuir registros dessa atuação. Dados enviados pela
Receita Federal à CPI do Crime Organizado apontam que o Banco Master declarou
pagamentos de R$ 80,2 milhões ao escritório sob a rubrica de serviços jurídicos
e consultoria.
O
montante corresponde a 22 das 36 parcelas previstas no contrato. Os pagamentos
foram suspensos após a prisão de Vorcaro e a liquidação do banco. O contrato
apreendido durante a Operação Compliance Zero passou a integrar os anexos da
delação, mas a narrativa não convenceu os investigadores e contribuiu para a
rejeição da proposta.
Em nota, o
escritório Barci de Moraes afirmou que não firmou qualquer novo contrato com
Daniel Vorcaro ou empresas ligadas ao empresário e declarou não ter recebido
valores relacionados ao documento mencionado. Alexandre de Moraes não comentou
o caso.
Diário do Poder
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